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Mulheres vão às ruas no Japão pedir reformas em lei sobre estupro

A legislação japonesa exige que fique provado que violência ou intimidação estava envolvida no ato.

 
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Mulheres sobreviventes de abuso sexual foram às ruas do Japão na noite desta terça-feira (11) para pedir reformas na lei do país contra o estupro, que exige provas do uso de violência ou intimidação no crime e de que a vítima era "incapaz de resistir".

Os manifestantes levaram flores e cartazes com slogans como #MeToo e #WithYou ("eu também" e "com você", em português) e relataram suas experiências, para mostrar a necessidade de descartar uma medida que afirmam que sobrecarrega as vítimas de estupro, além de desencorajá-las de fazer as denúncias e prejudicar suas chances na Justiça se o fizerem.

Manifestante segura cartaz com a hashtag #WithYou ("com você", em português) durante protesto nesta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters Manifestante segura cartaz com a hashtag #WithYou ("com você", em português) durante protesto nesta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters

Manifestante segura cartaz com a hashtag #WithYou ("com você", em português) durante protesto nesta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters

Absolvições recentes no país geraram indignação pela lei, que pode tornar impossível provar o estupro em situações em que não há tentativas de defesa.

Em uma dessas decisões, em março, um tribunal na cidade de Nagoya absolveu um pai acusado de estuprar a filha de 19 anos. Vítimas e ativistas querem que a lei seja alterada para barrar todo tipo de estupro.

Manifestantes se reuniram na "Demonstração das Flores" em Tóquio nesta terça-feira (11) para protestar contra as leis antiestupro do Japão. — Foto: Issei Kato/Reuters Manifestantes se reuniram na "Demonstração das Flores" em Tóquio nesta terça-feira (11) para protestar contra as leis antiestupro do Japão. — Foto: Issei Kato/Reuters

Manifestantes se reuniram na "Demonstração das Flores" em Tóquio nesta terça-feira (11) para protestar contra as leis antiestupro do Japão. — Foto: Issei Kato/Reuters

"Esse tipo de caso continua porque a maioria das pessoas não tem a impressão de que os julgamentos estão errados", disse a designer Miku Yokoyama, de 23 anos, que compareceu ao protesto de terça. "Estamos aqui hoje para fazer um movimento para mudar isso."

A legislação japonesa foi revista em 2017 para incluir penas mais severas para o crime.

"Se continuarmos dizendo 'não' à violência sexual e expressando nossas vozes, espero que essa lei irracional mude", disse Misa Iwata a uma multidão de centenas de pessoas reunidas perto de uma estação em Tóquio. Ela afirmou ter sido estuprada por uma gangue aos 16 anos.

"Levantar a voz é assustador", acrescentou Misa, que faz parte de um grupo de vítimas de abuso sexual. "Mas, levantando nossas vozes, a sociedade e a política certamente mudarão."

Nove cidades

Manifestante contra a lei antiestupro do Japão leva cartaz escrito com "a lei deve proteger as vítimas, não os perpetradores" em protesto desta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters Manifestante contra a lei antiestupro do Japão leva cartaz escrito com "a lei deve proteger as vítimas, não os perpetradores" em protesto desta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters

Manifestante contra a lei antiestupro do Japão leva cartaz escrito com "a lei deve proteger as vítimas, não os perpetradores" em protesto desta terça-feira (11) em Tóquio. — Foto: Issei Kato/Reuters

O protesto de Tóquio foi um dos nove em todo o país, de Fukuoka, no sul, a Sapporo, no norte, e Osaka, no oeste do Japão. Os organizadores começaram a realizar as manifestações, mensais, em abril.

"As vozes daqueles que dizem 'não podemos nos calar' estão se espalhando", afirmou o autor e ativista Minori Kitahara a uma multidão em Fukuoka, segundo a Reuters. Na cidade, outro veredito de inocência foi proferido em março.

O movimento #MeToo foi quieto na maior parte no Japão, onde apenas algumas vítimas de agressão sexual denunciam o crime à polícia; a maioria não conta a ninguém por medo de ser culpada e publicamente envergonhada.

 

 

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