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As MCs de BH: '''Nossa, esse é o meu lugar''', diz MC Ohana, expoente do rap em Minas

O G1 Minas apresenta série com artistas que movimentam o hip hop em BH e na Região Metropolitana.

 
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“Cheguei lá e falei, ‘nossa, esse é o meu lugar’. E nunca mais parei. Primeiro dia, primeiro da vida e aí é isso. Onze anos. Tô aí até hoje”. Em 2008, Ohana subia pela primeira vez no palco do Duelo de Mc’s, um dos eventos mais importantes do hip hop no país que, tradicionalmente, acontece embaixo do Viaduto Santa Tereza, um dos cartões postais de Belo Horizonte. Foi amor à primeira vista.

Nesta semana o G1 MG apresenta série com mulheres que movimentam o hip hop em BH e na Região Metropolitana.

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Fã de hard rock e de literatura, a cantora e compositora se encantou logo pelo rap quando os vídeos de artistas americanos começaram a aparecer na televisão.

“Eu me identificava com os clipes porque eram pessoas majoritariamente pretas, tudo preto. As roupas me encantavam, o estilo, a forma. Eu já tinha conhecido rap através de irmãos de amigos que já ouviam racionais, já tinha me encantado com as letras. A forma como eles escrevem. Aí foi natural”, contou ela.

Amante da literatura, Ohana abusa do jogo de palavras em sua música. — Foto: Flávio Charchar/Divulgação Amante da literatura, Ohana abusa do jogo de palavras em sua música. — Foto: Flávio Charchar/Divulgação

Amante da literatura, Ohana abusa do jogo de palavras em sua música. — Foto: Flávio Charchar/Divulgação

Bissexual, Ohana é uma das forças que expõe com crueza o machismo, o racismo e a homofobia através das letras.

“É muito desgaste. Preta, pobre, mulher, bissexual. É escutar m... todo dia. Então eu tenho que selecionar o que eu quero meter o dedo. E é muito insuportável”, falou ela. Mas apesar de todos os obstáculos, Ohana acredita que estamos em meio de uma revolução social.

“O mundo é homofóbico, é LGBTfóbico, é racista, é machista. A gente tá num momento, de movimentos sociais, que a gente tá conseguindo falar de uma forma mais aberta. De colocar o dedo na cara, e falar, e cobrar, e chamar a polícia. É movimentar”, disse Ohana. “E isso dá um conforto porque a sofrer calado é muito dolorido. É muito doloroso. Você escutar uma ofensa racista, uma ofensa LGBTfóbica e ter que ficar calado por medo acho que dói mais do que tomar um tapa na cara”.

Ohana é um dos expoentes da cena do hip hop em BH — Foto: Pablo Bernardo/Indie BH Ohana é um dos expoentes da cena do hip hop em BH — Foto: Pablo Bernardo/Indie BH

Ohana é um dos expoentes da cena do hip hop em BH — Foto: Pablo Bernardo/Indie BH

Escavadora de sons

Além de MC, Ohana é uma pesquisadora de talentos em Minas Gerais. Segundo ela, as mulheres vivem um momento especial no hip hop em Belo Horizonte.

“Sempre teve muita mulher mas sempre mulher na sua quebrada no seu grupinho muita guardada por milhares de motivos. Mas agora tá tudo eclodindo. É muita mulher, graças a Deus. Tá vindo muita coisa. E nossa, eu fico louca. Eu fico caçando coisas”, contou.

Essa “escavação de sons”, os movimentos sociais e a resistência influenciam diretamente no trabalho de Ohana que deve lançar novos singles ainda este ano.

“O hip hop é um alicerce. O movimento negro é um alicerce. O feminismo é outro alicerce”.

 

 

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