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Votação online aprova coligação entre partidos rivais na Itália e abre caminho para novo governo

Militantes do Movimento 5 Estrelas aprovaram – com 80% dos votos – coalizão com Partido Democrático. Resultado abre caminho para que primeiro-ministro Giuseppe Conte, enfim, inicie novo mandato.

 
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Os integrantes do Movimento 5 Estrelas aprovaram nesta terça-feira (3) formar novo governo de coalizão da Itália com o Partido Democrático (PD). A votação ocorreu pela internet, e cerca de 80% dos militantes do partido – considerado antissistema e antigo rival do PD – autorizaram o apoio.

Com isso, o primeiro-ministro Giuseppe Conte, reconduzido ao cargo, terá mais facilidade para iniciar o novo governo. Caso os militantes do Movimento 5 Estrelas rejeitassem a coalizão com o PD, a aliança dificilmente prosperaria e recolocaria a política italiana em indefinição.

Bandeiras da Itália tremulam em Roma, capital italiana — Foto: Stefano Rellandini/Reuters Bandeiras da Itália tremulam em Roma, capital italiana — Foto: Stefano Rellandini/Reuters

Bandeiras da Itália tremulam em Roma, capital italiana — Foto: Stefano Rellandini/Reuters

O líder do Movimento 5 Estrelas, Luigi Di Maio, celebrou o resultado e agradeceu aos 80 mil eleitores que votaram por meio de plataforma digital, segundo a agência France Presse.

"Quero lembrar que em menos de um mês conseguimos resolver uma crise governamental", elogiou.

"Creio que devemos nos orgulhar dessa plataforma digital ... porque ela nos ofereceu um método diferente para criar um governo", disse ele, referindo-se ao dispositivo de computação chamado Rousseau.

"O programa redigido, agora passaremos para a equipe do governo. Seremos os promotores de todas as ideias do programa do governo. Vamos aprovar todas as leis que ajudarão os jovens", disse.

Coalizão entre ex-rivais

Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas, e Nicola Zingaretti, do Partido Democrático (esq.) — Foto: Reuters e AFP Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas, e Nicola Zingaretti, do Partido Democrático (esq.) — Foto: Reuters e AFP

Luigi di Maio, do Movimento 5 Estrelas, e Nicola Zingaretti, do Partido Democrático (esq.) — Foto: Reuters e AFP

O Movimento 5 Estrelas fazia parte do governo até o início do agosto, em coligação com o partido Liga, da direita nacionalista. A aliança se desfez quando o líder direitista Matteo Salvini – atual Ministro do Interior – dissolveu o apoio formado logo após as eleições de 2018 alegando divergências sobre grandes projetos de infraestrutura e cortes de impostos.

Com a manobra, Salvini tentou forçar a Itália a passar por novas eleições gerais. O líder da Liga tentava surfar na recente popularidade para conquistar mais poder no país.

Entretanto, o primeiro-ministro Giuseppe Conte – não filiado a nenhum partido – renunciou ao cargo e deu mais tempo para que os parlamentares italianos se reorganizassem para, talvez, formar nova coalizão sem necessidade de convocar novas eleições e paralisar o governo.

Primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, fala com a imprensa nesta quinta-feira (29) após uma reunião com o presidente italiano. Ele foi reconduzido ao cargo para formar um novo governo   — Foto: Filippo Monteforte / AFP Primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, fala com a imprensa nesta quinta-feira (29) após uma reunião com o presidente italiano. Ele foi reconduzido ao cargo para formar um novo governo   — Foto: Filippo Monteforte / AFP

Primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, fala com a imprensa nesta quinta-feira (29) após uma reunião com o presidente italiano. Ele foi reconduzido ao cargo para formar um novo governo — Foto: Filippo Monteforte / AFP

Assim, o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, de centro-esquerda, aproximaram-se de maneira surpreendente: os dois partidos eram considerados rivais políticos.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella – que é chefe de Estado mas não de governo – deu prazo de cinco dias para que os partidos se acertassem. Com o aval dos grupos, ele reconduziu Conte ao cargo de primeiro-ministro e permitiu que ele iniciasse a formação do novo governo.

Porém, os dois partidos têm ainda divergências em tópicos programáticos como redução no número de parlamentares e flexibilização da política migratória.

Sergio Mattarella, presidente da Itália, fala a jornalistas nesta quinta-feira (22) — Foto: Vincenzo Pinto/AFP Sergio Mattarella, presidente da Itália, fala a jornalistas nesta quinta-feira (22) — Foto: Vincenzo Pinto/AFP

Sergio Mattarella, presidente da Itália, fala a jornalistas nesta quinta-feira (22) — Foto: Vincenzo Pinto/AFP

Assim, nesta terça-feira, o Movimento 5 Estrelas publicou o esboço de um programa de governo enviado ao premiê comum entre os dois partidos, com 26 pontos validados pelos líderes de ambas as legendas.

O texto inclui, entre outras medidas:

  • "eliminação de qualquer desigualdade social, territorial ou de gênero"
  • a redução das taxas no trabalho
  • a elaboração de "uma série de leis contra conflitos de interesse"
  • "resposta firme" ao problema dos fluxos migratórios.

"Agora vamos mudar a Itália ", disse o líder do PD, Nicola Zingaretti, após o anúncio dos resultados dos militantes do Movimento 5 Estrelas.

"Com o encerramento do trabalho sobre o programa, demos mais um passo em direção a um governo de mudança".

Salvini tentará de novo

Matteo Salvini em uma praia da Sicília, em agosto de 2019 — Foto: Antonio Parrinello/Reuters Matteo Salvini em uma praia da Sicília, em agosto de 2019 — Foto: Antonio Parrinello/Reuters

Matteo Salvini em uma praia da Sicília, em agosto de 2019 — Foto: Antonio Parrinello/Reuters

Derrotado, Salvini anunciou nesta terça-feira que tentará recolocar a Liga no controle da Itália.

"A partir de hoje, vocês me verão mais indignado e determinado do que nunca, irei de cidade em cidade e voltaremos a conquistar este país novamente", afirmou nesta terça-feira no Facebook.

O objetivo do político conservador é fazer campanha e derrubar o governo, para convocar eleições o mais rápido possível.

Segundo a imprensa italiana, Conte apresentará sua equipe de governo a Mattarella na manhã desta quarta-feira, antes de prestar juramento.

Após a posse do novo governo, ainda será necessário obter a confiança das duas casas do Parlamento, uma votação que certamente ocorrerá antes do final desta semana.

 

 

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