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António Costa, o estrategista requintado primeiro-ministro de Portugal

Primeiro-ministro se manteve no cargo após eleições de domingo. Seu partido conquistou 106 cadeiras no Parlamento, 21 a mais do que na eleição anterior, mas ele ainda precisa de coalizão para governar.

 
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Com seu ar jovial, o primeiro-ministro António Costa, que se manteve no cargo após as eleições deste domingo (6) em Portugal, é um estrategista habilidoso que sabe como conciliar o rígido credo orçamentário europeu com a unidade da esquerda.

Com quase 99% das urnas apuradas, o partido de Costa recebeu 36,65% dos votos e conquistou 106 cadeiras. No mandato atual, o Partido Socialista é apoiado pelo Bloco de Esquerda e pela Coligação Democrática Unitária. Na eleição passada, o Partido Socialista recebeu 32,38% e conquistou 85 cadeiras.

De origem indiana e advogado com 58 anos, é um dos poucos líderes europeus de linha social-democrata europeu que tem o vento a seu favor, desde que chegou ao poder em 2015 após ter sido derrotado na eleição anterior.

Ao selar um pacto sem precedentes em 40 anos de democracia com a esquerda antiliberal, que rendeu a ele fortes críticas da direita, o ex-prefeito de Lisboa formou um governo socialista minoritário, apoiado por uma maioria parlamentar menos frágil do que o previsto.

A mistura funcionou e o fã de culinária, cinema e fado chega ao fim de seu primeiro mandato de quatro anos com enorme popularidade.

Ele aproveitou a recuperação econômica para eliminar as medidas de austeridade implementadas pela direita em troca do resgate concedido em 2011 e continuou a limpar as contas públicas, em conformidade com as normas orçamentárias europeias.

"Excelente negociador"

"António Costa é um excelente negociador, uma pessoa muito pragmática e um político nato que é ativista do Partido Socialista desde a adolescência", diz Marina Costa Lobo, analista da Universidade de Lisboa.

O presidente conservador português Marcelo Rebelo de Sousa, seu ex-professor da Faculdade de Direito de Lisboa, ironizou seu "otimismo crônico e um pouco irritante". Sousa, no entanto, destacou seu "otimismo militante".

De aparência afável e jovial, embora descrito por seus detratores como manipulador e maquiavélico, Costa "teve a clareza de entender que poderia unir a esquerda sem fazer muitas concessões", explica o cientista político António Costa Pinto.

Fã de futebol e torcedor do Benfica, é casado com uma professora e pai de dois filhos, e construiu sua carreira com a mesma paciência demonstrada nos quebra-cabeças, seu passatempo favorito.

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante campanha eleitoral do Partido Socialista em Lisboa, em 24 de setembro — Foto: Reuters/Rafael Marchante O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante campanha eleitoral do Partido Socialista em Lisboa, em 24 de setembro — Foto: Reuters/Rafael Marchante

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, durante campanha eleitoral do Partido Socialista em Lisboa, em 24 de setembro — Foto: Reuters/Rafael Marchante

Grande família de Goa

Nascido em 17 de julho de 1961 em Lisboa, Costa cresceu nos círculos intelectuais frequentados por seus pais, a jornalista Maria Antónia Palla, socialista, e o escritor comunista Orlando da Costa, descendente de uma grande família de Goa, ex-área de influência de Portugal na Índia.

Seu meio-irmão Ricardo Costa, sete anos mais novo, é um jornalista influente em Portugal.

Aos 14 anos, "Babush" ("criança" em Konkani, a língua de Goa) entrou para a Juventude Socialista.

Naquela época, afirma ter sofrido mais com o divórcio de seus pais do que com a cor de sua pele. Depois de se formar em Direito e Ciência Política, tornou-se advogado em 1988.

Em 1995, aos 34 anos, foi nomeado secretário de Estado para Assuntos Parlamentares, uma posição-chave no governo minoritário de António Guterres (atual secretário geral da ONU), antes de se tornar Ministro da Justiça em 1999.

Após um breve período no Parlamento Europeu, retornou a Portugal em 2005 como Ministro do Interior, mas deixou o governo dois anos depois para disputar a prefeitura de Lisboa, onde deu seus primeiros passos à frente de uma união da esquerda e consolidou sua popularidade.

Essa etapa também permitiu que ele se afastasse do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que deixou o poder em 2011 e depois foi processado por corrupção em 2014, ano em que Costa alcançou o topo do Partido Socialista.

 

 

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