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Merkel pede defesa da democracia na Europa em aniversário da queda do Muro

Alemanha lembra neste sábado 9 os 30 anos de um dos eventos mais marcantes de sua história.

 
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A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a democracia e a liberdade europeias devem ser defendidas sempre. O país lembra neste sábado (9) o 30º aniversário da queda do Muro de Berlim, comemorado em meio à discórdia entre os aliados da época da Guerra Fria.

  • ESPECIAL: Marcas do Muro de Berlim

"Os valores fundadores da Europa (...) devem ser sempre defendidos. No futuro, é preciso se comprometer com a democracia, a liberdade, os direitos humanos e a tolerância", disse na Capela da Reconciliação, um dos lugares históricos e emblemáticos de Berlim, que representa a divisão que a cidade viveu após a construção do Muro.

"O Muro de Berlim pertence à história e nos ensina que nenhum muro que deixa as pessoas de fora e restringe a liberdade é tão alto ou tão comprido que não se possa ultrapassar", acrescentou a chanceler.

Merkel colocou uma rosa no lugar onde se levantou o Muro, acompanhada pelos presidentes da Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia, países que se prepararam durante muito tempo para a queda do muro e que são com frequência acusados de não respeitar plenamente as regras do estado de direito.

Na memória, fica a celebração de dez anos atrás, quando líderes do mundo todo, incluindo as quatro forças aliadas da Segunda Guerra Mundial, se encontraram em frente ao Portão de Brandeburgo em Berlim para derrubar um falso muro erguido para a comemoração dos 20 anos do fim da Cortina de Ferro.

A mensagem naquele momento foi clara: as muralhas e as divisões são coisas do passado. Dez anos depois, o ambiente é diferente.

O presidente alemão Frank-Walter Steinmeier pediu neste sábado aos Estados Unidos que sejam um "sócio mutuamente respeitoso" e rechaçou o nacionalismo, em um claro ataque ao governo de Donald Trump.

O presidente americano, por sua vez, classificou a Alemanha como um aliado "apreciado".

"A Guerra Fria passou há muito tempo, mas regimes tirânicos no mundo continuam empregando táticas opressoras do totalitarismo ao estilo soviético", disse Trump em uma mensagem de Washington.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse nesta semana que "pela primeira vez, temos um presidente americano que não compartilha a ideia de um projeto europeu".

Mais cedo, antes de viajar para Berlim, Macron lembrou no Twitter: "Há 30 anos, o Muro de Berlim não caiu. Foi derrubado pelo valor de milhares de mulheres e homens que desejavam liberdade. Abriram o caminho para a reunificação da Alemanha e a unidade da Europa", escreveu.

Antigos aliados divididos

Nesta semana, o presidente francês jogou lenha na fogueira ao dizer que a Otan estava em um estado de "morte cerebral" e lamentou a falta de coordenação entre os Estados Unidos, os sócios da Otan e a Turquia, membro da Aliança, que lançou recentemente uma ofensiva militar no norte da Síria.

Merkel abandonou o tom diplomático habitual dizendo que não compartilhava esta visão "radical" e disse que estes são "julgamentos de valor inoportunos" de Macron.

Em Berlim, Pompeo instou os países ocidentais a "defenderem o que tão duramente se conquistou em 1989" e a "tomar consciência de que se vive uma corrida de defesa dos valores contra as nações não livres", apontando a China e a Rússia.

A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu que se observe com atenção Pequim e Moscou. A dirigente admitiu que em 1989 houve uma certa ingenuidade, quando o mundo acreditou que a "vitória das democracias liberais não podia ser detida".

Um momento de felicidade

Alemanha recorda os 30 anos da queda do muro de Berlim

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Os berlinenses comemoraram a queda do Muro que dividiu sua cidade durante mais de 28 anos. Sua derrubada, na noite de 9 de novembro de 1989, ocorreu de forma pacífica e as imagens de desconhecidos das partes Oriental e Ocidental se abraçando deram a volta ao mundo.

"Foi um momento de felicidade", resumiu recentemente Merkel.

"É uma coisa que não se esquece nunca. Uma loucura. O Muro era como uma fortaleza poderosa e de repente se derrubou", lembra Thomas Wendt, de 67 anos, cidadão de Berlim Oriental que passou aquela noite histórica no Oeste.

Merkel reconheceu que "levaria meio século ou mais" para concluir de fato uma reunificação alemã que parece existir apenas no papel.

As fissuras políticas e econômicas entre as partes Oriental e Ocidental - mais rica - do país, continuam estando onipresentes e são sentidas por exemplo com o avanço no Oeste da extrema-direita, representada pela formação Alternativa por Alemanha (AfD).

"As tendências nacionalistas e protecionistas ganham terreno no mundo todo hoje em dia", afirmou Merkel.

 

 

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