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Alberto Fernández assume a presidência da Argentina e diz que pagará dívida quando o país crescer

Novo presidente afirmou que a Argentina quer pagar a dívida, mas não tem condições de fazê-lo; Brasil foi o único país citado nominalmente no discurso escrito; Jair Bolsonaro não foi à cerimônia e enviou o vice-presidente Hamilton Mourão para represe

 
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Alberto Fernández, que foi eleito presidente da Argentina no fim de outubro, tomou posse formalmente nesta terça-feira (10) em Buenos Aires. Além dele, Cristina Kirchner assumiu seu novo cargo como vice-presidente –foi ela que escolheu Fernández como cabeça de chapa para concorrer nas eleições deste ano.

Em seu discurso de 28 páginas, ele falou sobre os seguintes temas:

  • Fome no país
  • Polarização política
  • Crise econômica
  • Renegociação da dívida
  • Reforma do sistema Judicial
  • Relação com países da América Latina

No seu discurso, o novo dirigente disse como pretende renegociar a dívida do país. “Não há pagamento de dívida que se possa sustentar se o país não cresce. É simples assim: para poder pagar, é preciso crescer”, afirmou.

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O país tem vontade de pagar, mas carece da capacidade de fazê-lo, discursou. Ele afirmou que vai buscar uma relação "construtiva e cooperativa com o Fundo Monetário Internacional" e com os credores.

Reforma da Justiça

Cristina Kirchner é investigada em nove casos judiciais –eram 11, mas, em dois, a Justiça não a tornou ré.

Ao lado da ex-mandatária, Fernández afirmou que o sistema é parcial, e prometeu uma reforma Judicial. "Nós vimos uma deterioração judicial nos últimos anos. Vimos perseguições indevidas e detenções arbitrárias induzidas por governantes e silenciadas por certa complacência midiática", afirmou.

Alberto Fernández e Cristina Kirchner ao entrar no Congresso, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters Alberto Fernández e Cristina Kirchner ao entrar no Congresso, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Alberto Fernández e Cristina Kirchner ao entrar no Congresso, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Em um dos momentos mais exaltados de seu discurso de posse, Fernández disse que deu um "nunca mais" a uma Justiça “contaminada por serviços de inteligência, operadores judiciais, procedimentos obscuros e linchamentos midiáticos”.

Brasil no discurso

O novo presidente da Argentina citou o Brasil em sua posse.

"Com a República Federativa do Brasil, particularmente, temos que construir uma agenda ambiciosa, inovadora e criativa em temas de tecnologia, produção e estratégia, que esteja respaldada pela irmandade histórica de nossos povos que é mais importante que qualquer diferença pessoal de quem governa a conjuntura", disse ele.

O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, tomou posse nesta terça-feira (10) ao lado da vice, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. — Foto: Agustin Marcarian/Reuters O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, tomou posse nesta terça-feira (10) ao lado da vice, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

O novo presidente da Argentina, Alberto Fernández, tomou posse nesta terça-feira (10) ao lado da vice, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

É o único país citado nominalmente em 28 páginas do texto –ao discursar, no entanto, ele falou do Chile, para dizer que ofereceu ajuda a Sebastián Piñera nas buscas por um avião que desapareceu perto da Antártica.

Dirigiu até a cerimônia

A cerimônia começou quando Fernández recebeu uma escolta em sua casa, no bairro de Puerto Madero e dirigiu seu próprio carro até o Congresso.

No prédio do Congresso, a primeira a falar foi a vice-presidente do governo de partida, Gabriela Michetti. O novo presidente da Câmara, Sergio Massa, içou uma bandeira argentina e os nomes dos deputados e senadores foram anunciados.

Alberto Fernández e Cristina Kirchner durante a posse, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters Alberto Fernández e Cristina Kirchner durante a posse, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Alberto Fernández e Cristina Kirchner durante a posse, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Fernández e Cristina Kirchner assinaram um livro de honra e foram para a Câmara dos Deputados para serem juramentados por Michetti.

Ele prestou juramento, no qual disse que vai observar a Constituição do país. Foi seguido por Cristina, que também pronunciou as palavras sobre suas obrigações.

Quando Mauricio Macri entrou no Congresso, parte dos presentes no Congresso começaram a cantar a marcha peronista (movimento politico ao qual a chapa vencedora pertence).

Fernández então recebeu a faixa e o bastão presidenciais de Macri.

Maurício Macri passa bastão a Alberto Fernández, em Buenos Aires, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters Maurício Macri passa bastão a Alberto Fernández, em Buenos Aires, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Maurício Macri passa bastão a Alberto Fernández, em Buenos Aires, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Cristina Kirchner convidou Fernández a fazer seu primeiro discurso.

Fernández, ao fazer seu discurso, disse que o dia 10 de dezembro marca o fim da ditadura –o primeiro presidente civil, Raul Alfonsin, assumiu nessa data de 1983.

Mauricio Macri cumprimenta Cristina Kirchner durante a posse de Alberto Fernández como presidente, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters Mauricio Macri cumprimenta Cristina Kirchner durante a posse de Alberto Fernández como presidente, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Mauricio Macri cumprimenta Cristina Kirchner durante a posse de Alberto Fernández como presidente, em 10 de dezembro de 2019 — Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Ele agradeceu a "generosidade" de Cristina, a quem ele chamou de amiga e pediu para lembrar de seus pais e Néstor Kirchner.

Vice-presidente Mourão

Depois do Congresso, partiu para a Casa Rosada, onde recebe representantes de outros países.

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, será a autoridade presente do país.

Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília no dia 8 de outubro de 2019 — Foto: Adriano Machado/Reuters Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília no dia 8 de outubro de 2019 — Foto: Adriano Machado/Reuters

Hamilton Mourão e Jair Bolsonaro durante cerimônia em Brasília no dia 8 de outubro de 2019 — Foto: Adriano Machado/Reuters

Jair Bolsonaro chegou a dizer a interlocutores que não mandaria representantes do governo brasileiro para a posse, de acordo com o blog de Gerson Camarotti.

Mourão disse, nesta terça-feira (10), que a importância da economia argentina foi um dos fatores que pesaram para que o presidente brasileiro decidisse enviar um representante.

De acordo com Mourão, Bolsonaro levou em consideração o fato de a Argentina ser o terceiro parceiro comercial do Brasil. Segundo o vice-presidente, o Brasil não atingiu algumas das metas econômicas em 2019 por conta da crise do país vizinho.

"É um gesto político do presidente enviar o vice-presidente para representá-lo aqui nessa cerimônia", disse ele.

Pelo Uruguai, foram Tabaré Vázquez, o atual presidente, e Luis Lacalle Pou, que foi eleito, e o ex-presidente José "Pepe" Mujica (ele é casado com a atual vice-presidente do país).

Mario Abdo, do Paraguai, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba, também estão presentes.

Sebastián Piñera, do Chile, deixou de viajar por causa do desaparecimento de um avião da Força Aérea do pais.

Rafael Correa, ex-presidente do Equador, e Fernando Lugo, ex-líder do Paraguai, também foram à cerimônia.

Posse e festa

Depois disso, ele vai dar posse aos seus ministros.

Do lado de fora, na Praça de Maio, haverá shows de mais de 20 cantores ou conjuntos musicais.

Espera-se que Fernández e Kirchner participem da festa depois do fim dos protocolos formais do lado de dentro da Casa Rosada.

Trajetória do novo presidente

Fernández é um peronista, corrente política ligada ao general Juan Perón, que foi presidente da Argentina duas vezes na década de 1950 e uma terceira nos anos 1970.

Ele promete "pôr o país de pé de novo", após um período de recessão, de inflação alta e de aumento do desemprego e da pobreza.

Advogado de 60 anos, ele usa como credenciais para governar sua experiência como chefe de gabinete no governo de Néstor Kirchner (2003-2007) e durante o primeiro ano do primeiro mandato de Cristina Kirchner (2008), a vice-presidente que vai liderar o Senado e que impulsionou sua candidatura, escolhendo-o para encabeçar sua chapa.

Nas eleições, Fernández derrotou Mauricio Macri, que estava no poder desde 2015, no primeiro turno.

Nova família presidencial

O novo presidente tem 60 anos, e namora Fabiola Yañez, 38. Os dois vão se mudar para a residência oficial, em Olivos. O seu cachorro Dylan, um collie, também vai para a nova casa.

Fernández tem um filho, Estanislao, de um relacionamento anterior, que se apresenta como drag queen em festas em Buenos Aires com o nome Dyhzy.

O lenço do bolso do paletó do filho do novo presidente tem as cores do arco-íris, um dos símbolos LGBTIQ.

 

 

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