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Protestos contra o racismo voltam a tomar as ruas dos EUA

Manifestações após a morte do ex-segurança George Floyd entram no oitavo dia. A maioria dos atos é pacífica. Mesmo com toque de recolher, manifestantes permanecem nas ruas em Nova York e Los Angeles. Outros países também registraram protestos.

 
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Os Estados Unidos entraram nesta terça-feira (2) no oitavo dia de manifestações contra o racismo após a morte do ex-segurança George Floyd em uma ação policial em Minneapolis. Os protestos ocorrem na maioria das vezes de maneira pacífica.

Protestos após a morte de George Floyd completam 7 dias: entenda o caso

Protestos após a morte de George Floyd completam 7 dias: entenda o caso

A polícia prendeu manifestantes que se recusaram a respeitar o toque de recolher em Nova York na noite desta terça-feira (2) — Foto: Wong Maye-E/AP

Veja abaixo um breve resumo dos protestos desta terça (2)

  • As duas maiores cidades dos EUA, Nova York e Los Angeles, além da capital Washington, mantêm novamente toque de recolher a partir desta noite, porém manifestantes continuam nas ruas de NY e LA após o horário permitido.
  • Até às 23h30 (horário de Brasília), cerca de 40 pessoas já haviam sido detidas em Nova York, segundo informações da própria polícia, que admite que o número deve subir ao longo da noite. Na segunda-feira, mais de 700 pessoas foram detidas.
  • Em Atlanta, apesar de os manifestantes marcharem pacificamente, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo quando começou o horário do toque de recolher, às 21 horas.
  • Em Milwaukee, Wisconsin, a polícia anunciou em redes sociais que lançou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes após ser atacada com pedras e vidros.
  • Outras grandes cidades, como Portland (Oregon), não vão adotar a medida após autoridades considerarem que a violência diminuiu na noite anterior.
  • Os protestos começaram ainda no início da tarde na maior parte do país, sem grandes tumultos ou saques.
  • Em Las Vegas, a polícia identificou o responsável por balear um policial - que está em estado crítico - durante manifestação na segunda-feira: um homem de 20 anos. A cidade também teve outro tiroteio que terminou com uma morte na segunda.
  • Houve manifestações pelo mundo, as mais numerosas na Austrália, no Reino Unido e na França. Em Paris, inclusive, um ato com mais de 15 mil pessoas também relembrou a morte do jovem francês Adama Traoré. Houve tumulto na capital francesa e em Marselha.
  • Parentes e amigos de Floyd discursaram em homenagem ao ex-segurança em evento em Minneapolis.

'Ele nunca vai ver a filha crescer'

Gianna, filha de 6 anos de George Floyd, abraça a mãe, Roxie Washington, durante homenagem na prefeitura de Minneapolis nesta terça-feira (2) — Foto: Lucas Jackson/Reuters

Parentes e amigos discursaram em homenagem a George Floyd na prefeitura de Minneapolis, que contou com a participação de Gianna, filha de 6 anos do ex-segurança.

A mãe de Gianna, Roxie Washington, lamentou — muito emocionada — a morte de Floyd. "Quero justiça por ele".

"Ele [Floyd] nunca vai ver a filha crescer, se formar. Nunca vai entrar com ela na igreja para o casamento", disse Roxie.

  • VEJA TAMBÉM: Maioria dos norte-americanos apoia protestos, diz pesquisa

Uso da Guarda Nacional divide opiniões

O presidente dos EUA Donald Trump exibe a primeira página do New York Post enquanto fala com repórteres durante assinatura de uma ordem executiva sobre empresas de mídia social no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, nos EUA, na quinta-feira (28) — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Na segunda-feira, o presidente Donald Trump chegou a dizer que era "um aliado das manifestações pacíficas", mas pediu que os estados endurecessem a força policial contra vândalos e ameaçou chamar Forças Armadas caso a violência continuasse no país. Ele ainda reforçou o pedido para que governadores e prefeitos convocassem a Guarda Nacional para conter tumultos.

Manifestantes fazem ato contra o racismo na Foley Square, em Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

O pedido, entretanto, recebeu rechaço de alguns políticos, como o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. "Não precisamos que a Guarda Nacional venha à cidade", afirmou, acrescentando que os 36 mil policiais são suficientes para lidar com as manifestações.

"Quando forças armadas de fora vêm às nossas comunidades, especialmente nessas situações tensas para as quais não foram treinados, é um cenário perigoso", completou.

Os pedidos pela Guarda Nacional também foram rejeitados por governadores de estados como Illinois, Oregon e do próprio estado de Nova York. Governadores republicanos, como o de Maryland, apoiaram Trump.

Washington endurece cerco

Manifestantes penduram bandeira dos EUA de cabeça para baixo em cerca em frente à Casa Branca, em Washington, nesta terça (2) — Foto: Evan Vucci/AP Photo

Um dia depois de afirmar que poderia convocar forças armadas para intervirem nos protestos antirracismo, o governo norte-americano continuou a reforçar a necessidade de medidas enérgicas contra distúrbios e saques, sobretudo em Washington.

O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, responsável por dirigir as medidas de segurança na capital, disse que a vigilância vai aumentar nesta terça-feira.

"Vamos ter ainda mais recursos para cumprimento da lei e apoio na região nesta noite", afirmou Barr, em comunicado.

Veículo militar passa em Washington diante de manifestantes em protesto antirracista nesta terça (2) — Foto: Alex Brandon/AP Photo

A decisão foi tomada um dia depois de um confronto entre policiais e manifestantes enquanto Trump discursava. Fontes disseram à agência Associated Press que o tumulto começou porque as forças de segurança tentavam abrir caminho para o presidente visitar uma igreja depredada nos protestos perto da Casa Branca — o que gerou críticas de autoridades religiosas da cidade.

Um novo toque de recolher aconteceu Washington nesta terça. Centenas de integrantes da Guarda Nacional viajaram à capital para reforçar o patrulhamento.

Embora manifestantes tenham permanecido próximos do Capitólio por cerca de uma hora após o horário do toque de recolher, não houve confronto e eles acabaram se dispersando naturalmente do local - fortemente vigiado por membros da Guarda Nacional. Ainda assim, muitas pessoas permanecem protestando nas ruas horas depois do horário permitido na capital do país.

Álcool gel e máscaras em Nova York

Manifestantes oferecem álcool gel e água a companheiros em protesto nos EUA

Manifestantes oferecem álcool gel e água a companheiros em protesto nos EUA

Em Nova York, por causa da pandemia do novo coronavírus, voluntários distribuíram máscaras e álcool gel — além de água para que os manifestantes se hidratem. Veja no VÍDEO acima.

A maior cidade dos EUA ainda está sob restrições por causa da Covid-19. Só em Nova York, mais de 16 mil pessoas morreram com a doença, que já matou mais de 100 mil em todo o país.

Manifestantes protestam em ato antirracismo na Foley Square, Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

Após mais de 700 pessoas terem sido detidas na noite de segunda-feira, o prefeito Bill de Blasio decidiu estender o período do toque de recolher na cidade a partir desta terça: em vez das 23h, ele teve início às 20 horas, e será encerrado apenas às 5h da manhã. A medida será adotada durante toda a semana.

Protestos no mundo

Paris, na França, tem protestos contra o racismo nesta terça-feira (2) mesmo contra ordens da polícia — Foto: Michel Euler/AP Photo

Os atos contra o racismo se espalharam para outros países ainda durante o fim de semana, e, nesta terça, houve grandes manifestações registradas na Austrália, no Reino Unido e na França.

Em Paris, polícia lançou gás lacrimogênio contra milhares de manifestantes que protestavam contra o racismo policial nesta terça-feira (2), citando o norte-americano George Floyd e o jovem francês Adama Traoré, que morreu enquanto estava sob custódia policial em 2016. Outras cidades como Marselha também registraram confrontos.

Caso George Floyd

Policial foi filmado com o joelho sobre o pescoço de George Floyd — Foto: AFP/Facebook / Darnella Frazier

George Floyd morreu em 25 de maio após ser filmado com o pescoço prensado pelo joelho de um policial branco em Minneapolis. O ex-segurança, que era negro, foi alvo da operação policial por supostamente tentar pagar uma conta em uma mercearia com nota falsa de US$ 20, segundo a imprensa norte-americana.

As imagens reacenderam a questão racial dos Estados Unidos e deram início a uma série de protestos antirracismo que tomaram conta do país. Com a comoção nacional e mundial, o policial filmado ajoelhado sobre o pescoço de Floyd foi preso e formalmente acusado de homicídio culposo (sem intenção de matar) e assassinato em terceiro grau (quando é considerado que o responsável pela morte atuou de forma irresponsável ou imprudente)..

Uma primeira perícia, oficial, não indicou evidências de que Floyd morreu por asfixia. Entretanto, outras duas autópsias indicaram que, sim, o ex-segurança foi morto por sufocamento.

PROTESTOS POR MORTE DE GEORGE FLOYD

  • Entenda revolta após a morte do ex-segurança negro

  • Segundo dia de protestos nos Estados Unidos tem registro de morte

  • Jovem e agente federal morrem e centenas são presos no 4º dia de manifestações

  • Cidades e estados americanos têm toque de recolher devido a protestos; mais uma pessoa morre

  • Policial filmado com joelho sobre pescoço de George Floyd é detido acusado homicídio

  • Twitter alerta que mensagem de Trump sobre protestos 'glorifica' violência

  • Relembre 11 mortes que causaram protestos contra violência policial nos EUA

  • FOTOS: veja imagens de protestos em várias partes dos EUA

  • Toronto, Londres, Berlim: veja imagens de protestos pelo mundo

 

 

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