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Maioria das pessoas com anticorpos para Covid-19 no Brasil tem sintomas da doença, sugere estudo da UFPel

Conclusão é de cientistas que lideram o estudo EpiCovid, o maior sobre a prevalência da doença no país; estudo ainda não foi divulgado em revista científica.

 
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Em uma pesquisa ainda não publicada, cientistas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e outras instituições brasileiras apontam que a maioria das pessoas com Covid-19 no Brasil tem sintomas da doença. Os pesquisadores são responsáveis pela EpiCovid, o maior estudo sobre a prevalência da doença no país.

O estudo está disponível em uma plataforma on-line desde quarta (12), mas ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada "revisão por pares" ou "peer review", em inglês), etapa que é necessária para validação dos resultados e publicação deles em revista científica.

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Os pesquisadores testaram e incluíram no estudo 31.869 pessoas de todas as regiões do país, usando um teste para detecção de anticorpos contra o Sars-CoV-2 (o novo coronavírus). Os participantes, testados entre os dias 21 e 24 de junho, foram questionados sobre terem tido ou não algum sintoma da Covid-19 nos quatro meses anteriores, desde o início da epidemia no Brasil.

Veja as principais descobertas:

  1. 849 pessoas tiveram anticorpos detectados para o Sars-CoV-2. Dessas, apenas 12% disseram não ter tido sintomas da Covid-19 desde o início da pandemia.
  2. Já entre as pessoas que não tiveram os anticorpos detectados, 42% também não tinham os sintomas.

"Cada um dos 11 sintomas investigados teve significativamente mais chances de ser relatado por aqueles que tiveram resultados positivos [para anticorpos] do que por aqueles com resultados negativos", afirmam os pesquisadores no estudo.

"Nós identificamos que, ao contrário do que é relatado com frequência, a maior parte das pessoas com anticorpos era sintomática", continuam.

Os sintomas mais frequentes nas pessoas que tiveram os anticorpos detectados foram dor de cabeça, mudança no olfato ou paladar, febre, tosse e dor muscular.

As mulheres relataram sintomas de forma mais frequente do que os homens, e os que tinham nível superior também os relataram com mais frequência. Crianças e adolescentes, por outro lado, tiveram a menor probabilidade de queixas.

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Para evitar que as respostas dos participantes tivessem algum viés de acordo com o resultado do teste, os pesquisadores fizeram o questionamento sobre os sintomas antes que as pessoas soubessem do seu resultado. Foram excluídos todos que já tivessem um diagnóstico prévio de Covid-19 ou que não tivessem preenchido as informações sobre os sintomas.

"Em resumo, nossa análise mostra que a maioria dos indivíduos com anticorpos para o Sars-CoV-2 relatam ter tido sintomas, mesmo que, na maioria dos casos, eles tenham sido leves", ponderam os cientistas.

"Nossas descobertas podem ser usadas para implementar sistemas de vigilância no Brasil, o que ajudaria a identificar casos de forma precoce e guiar procedimentos de testagem", consideram.

Assintomáticos

No estudo, os pesquisadores também destacam que os achados vão no sentido oposto ao de pesquisas anteriores, que apontavam que a maior parte das pessoas com Covid-19 não tem sintomas da doença.

Uma pesquisa feita no início da pandemia, em março, na China, mostrou que 86% de todas as infecções pelo Sars-CoV-2 no país não foram detectadas, o que levou ao entendimento de que a maioria desses casos era de pacientes assintomáticos.

Um outro estudo, divulgado em julho, mostrou que até 87% dos casos de Covid-19 em Wuhan, na China (onde o primeiro caso de Covid-19 foi detectado), eram leves ou sem sintomas e não chegaram a ser detectados.

Em junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) precisou esclarecer que pessoas sem sintomas da Covid-19 podem transmitir a doença, depois de uma declaração da entidade que gerou polêmica ao redor do mundo.

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