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Protestos continuam em Belarus apesar de milhares de detenções

O ministério do Interior anunciou que 700 pessoas foram detidas na quarta-feira, o quarto dia de protestos. Novas manifestações já foram convocadas.

 

Ao menos 6.700 detenções e dois mortos: este é o balanço de quarto de dias de protestos em Belarus, violentamente reprimidas, contra a reeleição do presidente Alexander Lukashenko.

  • Protestos eclodem em Belarus após reeleição de Lukashenko

O ministério do Interior anunciou nesta quinta-feira (13) que 700 pessoas foram detidas na quarta-feira, o quarto dia de protestos. Novas manifestações já foram convocadas para as próximas horas.

"Os incidentes no país perderam o caráter de larga escala, mas o nível de agressividade contra as forças de segurança continua elevado", afirmou o ministério em sua conta no aplicativo Telegram.

Também de acordo com o ministério, 103 policiais foram feridos e 28 estão hospitalizados.

As manifestações explodiram em todo o país desde o anúncio, no domingo, da vitória - por mais de 80% dos votos - do autocrata Lukashenko, que está no poder há 26 anos.

Os partidários da opositora Svetlana Tikhanovskaya reivindicam a vitória de sua candidata, que, após uma campanha que despertou uma empolgação que nunca havia sido registrada na ex-república soviética, se declarou vencedora, deixou o país e buscou refúgio na Lituânia.

A polícia utiliza bombas de efeito moral e balas de borracha contra os manifestantes. As autoridades não revelaram quantas pessoas continuam detidas, mas relatos em redes sociais indicam dezenas de liberações.

As autoridades confirmaram na quarta-feira a morte de um detido. Outro manifestante faleceu na segunda-feira. Também reconheceram um incidente com o uso de munição letal na terça-feira, que deixou uma pessoa ferida.

Estados Unidos e União Europeia (UE) denunciaram fraudes nas eleições e condenaram a repressão. Os europeus estudam a possibilidade de impor sanções a Minsk.

A Ucrânia recomendou a seus cidadãos que evitem os deslocamentos a Belarus e pediu a libertação "imediata" de dois ucranianos, ativistas dos direitos humanos, detidos.

Em várias cidades do país, especialmente em Minsk, dezenas de pessoas, muitas mulheres vestidas de branco saíram às ruas pelo segundo dia, para formar efêmeras correntes humanas pacíficas, com flores nas mãos.

Nos últimos dias, celebridades locais intensificaram as críticas às autoridades, como a quatro vezes campeã olímpica de biatlo Daria Domracheva, que fez um apelo no Instagram às forças de segurança: Parem a violência! Não permitam que o horror continue nas ruas".

Vários jornalistas e apresentadores de meios de comunicação estatais pediram demissão, incluindo Tatiana Borodkina, da STV, que apresentava um programa de entretenimento com as filhas.

"Não tenho medo e não tenham medo, não privem nossos filhos de seu futuro", escreveu Borodkina em sua página em uma rede social.

A vencedora do Nobel de Literatura Svetlana Alexievich acusou na quarta-feira Lukashenko de arrastar o país para a guerra civil.

Uniformes no lixo

Apesar dos repetidos cortes de Internet, militares e policiais, da ativa ou da reserva, também denunciam de modo anônimo a repressão.

Em vídeos que viralizaram eles jogam no lixo uniformes e emblemas de unidades.

Tikhanovskaya não fala desde o vídeo de terça-feira no qual anunciou sua saída do país, o que aconteceu, de acordo com seus seguidores, por pressão do governo quando passou horas retidas pelas forças de segurança na segunda-feira.

O chefe de Estado, de 65 anos, nunca permitiu um avanço da oposição, que carece de representação no Parlamento. A última onda de protestos, em 2010, também foi severamente reprimida.

Tikhanovskaya, de 37 anos, novata na política, mobilizou em poucas semanas, para surpresa geral, dezenas de milhares de pessoas.

Esta mãe de dois filhos e professora de inglês substituiu na disputa presidencial o marido Serguei, um conhecido blogueiro que foi detido em maio.

 

 

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