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Turquia sobe o tom contra a França e Grécia e aumenta tensão no Mediterrâneo

Envio de navio turco em região de disputa com a Grécia levou a resposta do governo francês, que mandou aviões de guerra para o local.

 
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A Turquia acusou nesta sexta-feira (14) a França de se comportar como "mestre" do Mediterrâneo oriental e emitiu um severo aviso à Grécia, no momento em que os países europeus se reuniam em Bruxelas para apoiar o governo grego.

A situação no Mediterrâneo ficou mais tensa após o envio pela Turquia de um navio de pesquisa sísmica na segunda-feira, escoltado por navios militares turcos em uma área disputada rica em reservas de gás.

A França respondeu mobilizando navios e aviões de guerra nesta área do Mediterrâneo na terça-feira para deixar claro seu apoio às autoridades gregas nesta crise, uma decisão que levou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, a acusar a França de se comportar como um "valentão".

"A França, em particular, deve parar de tomar medidas que acentuam as tensões", disse Cavusoglu, em um momento de desacordo entre os governos francês e turco sobre a situação no Mediterrâneo oriental, mas também na Líbia.

O presidente da França, Emmanuel Macron, durante teleconferência com outros líderes mundiais sobre a situação no Líbano — Foto: Christophe Simon/Pool via Reuters

Os chanceleres da União Europeia reuniram-se nesta sexta-feira para manifestar o seu apoio à Grécia nesta disputa, além de debater a situação em Belarus.

Os líderes europeus pediram uma redução da escalada e uma "solução negociada", e também decidiram voltar a esta questão em outra reunião no final de agosto, segundo várias autoridades.

Ameaça de retaliação

O presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, aplaude discurso de legisladores antes de votação de lei sobre controle de mídias sociais na Turquia, em Istambul, na quarta-feira (29) — Foto: Turkish Presidency via AP, Pool

Um sinal da fragilidade da situação, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu que os navios turcos responderam a uma tentativa de ataque ao navio de exploração Oruc Reis.

O jornal grego "Kathimerini" relatou um confronto entre uma fragata grega e uma turca na sexta-feira, mas o exército helênico não confirmou o incidente.

O presidente francês Emmanuel Macron, que até agora não havia respondido às críticas das autoridades turcas, disse no Twitter na sexta-feira que a França tinha "um ponto de vista coincidente sobre a situação no Mediterrâneo" com os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos.

Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, em entrevista coletiva em Washington em abril — Foto: Andrew Harnik/Pool via Reuters

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, concordou com o ministro das Relações Exteriores grego, Nikos Dendias, quanto à "necessidade urgente de reduzir as tensões no Mediterrâneo oriental", indicou a diplomacia americana em um comunicado.

Desde o início da crise, a Turquia mantém um discurso contraditório que combina mensagens agressivas com pedidos para reduzir a tensão.

Cavusoglu garantiu que o seu país "não quer uma escalada" e que é a favor de um "diálogo sereno", após atribuir ao governo grego toda a responsabilidade pelas tensões atuais.

Além disso, o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, afirmou que espera que os especialistas gregos e turcos possam entrar em negociações em Ancara.

Mediação de Merkel

Chanceler alemã Angela Merkel chega para entrevista coletiva sobre reunião virtual que manteve com governadores nesta quarte-feira (6), em que foram acertados detalhes sobre medidas de relaxamento do confinamento devido à pandemia de coronavírus — Foto: Reuters/Michael Sohn

Para tentar acalmar a situação, a chanceler alemã, Angela Merkel, conversou por telefone na quinta-feira com o presidente turco e com o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis.

Erdogan explicou a Merkel que o navio sísmico turco continuará suas explorações até 23 de agosto, mas que a partir dessa data estarão dispostos a negociar para "acalmar as coisas".

As autoridades turcas já haviam anunciado na semana passada que suspenderiam a exploração de gás a pedido da Alemanha, mas alguns dias depois as retomaram.

A descoberta nos últimos anos de grandes depósitos de gás no Mediterrâneo oriental alimentou o interesse dos países por esses recursos e acentuou a rivalidade entre Grécia e Turquia, ambos países da OTAN, mas com uma rivalidade histórica territorial.

Atenas considera que essas explorações representam uma violação do seu espaço marítimo por serem realizadas perto da ilha grega de Kastelorizo.

Mas a Turquia acusa a Grécia de ter uma "visão maximalista" e rejeita que a presença desta pequena ilha, localizada a apenas dois quilômetros da costa turca, e a mais de 500 quilômetros de Atenas, possa limitar sua capacidade de explorar tais recursos naturais.

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