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Votos por correio se tornam grande tema de período pré-eleitoral nos EUA

Por conta da pandemia do coronavírus, milhões de votos por correspondência são esperados para a eleição presidencial de 3 de novembro.

 
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O Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS) é conhecido por fazer entregas em qualquer condição climática, mas agora enfrenta uma adversidade diferente: o presidente Donald Trump.

Para a eleição de 3 de novembro, na qual são esperados milhões de votos por correspondência devido ao coronavírus, Trump lançou um ataque sem precedentes contra o USPS.

Ele se opôs a repassar mais dinheiro para a agência com problemas de liquidez, apesar da mudanças internas terem provocado atrasos generalizados na entrega de cartas e pacotes.

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"Precisam do dinheiro para que as agências dos correios funcionem, de modo que possam transportar milhões e milhões de cédulas eleitorais", disse Trump a Fox News na quinta-feira (13). "Mas se não recebem... isso significa que não se pode ter uma votação universal pelo correio".

Uma votação por correio generalizada seria uma "catástrofe", acrescentou no sábado (15).

Trump sobre votos pelo correio: 'Será uma catástrofe

Trump sobre votos pelo correio: 'Será uma catástrofe'

Neste domingo (16), os democratas rebateram o presidente. Alguns pediram que a Câmara de Representantes retorne antes do recesso de verão para tomar medidas e proteger o serviço postal.

"Estou profundamente, profundamente preocupado com a postura de Trump sobre o correio", disse o senador Bernie Sanders, ex-adversário do candidato democrata Joe Biden, ao canal ABC, e que discursará na segunda-feira no primeiro dia da convenção democrata, que acontecerá virtualmente para oficializar a candidatura do ex-vice-presidente à Casa Branca.

O senador qualificou de "patética" a afirmação de Trump de que os democratas estavam bloqueando o financiamento postal e indicou que "a Câmara (de Representantes) deveria voltar e garantir que o serviço postal esteja totalmente financiado".

No entanto o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse que os democratas poderiam obter mais fundos postais se desbloquearem o acordo para um pacote econômico.

"Se meus amigos democratas estão todos chateados com isso, retornem a Washington para alcançar um pacote de estímulo que inclua a ajuda para pequenas empresas", disse ele à CNN.

Biden critica a postura do presidente e já disse que Trump "não quer eleições".

E a senadora Kamala Harris, que aceitará a nomeação do partido como companheira de chapa de Biden, tuitou: "Não podemos permitir que Donald Trump destrua o Serviço Postal dos Estados Unidos".

Trump tem criticado o serviço postal, insistindo que é mal administrado, mas seus últimos embates acontecem no momento em que as pesquisas de intenção de voto mostram seu adversário na liderança.

Uma pesquisa da NBC News-Wall Street Journal publicada neste domingo mostra que o ex-vice-presidente tem vantagem de nove pontos sobre Trump.

Enquanto isso, no Congresso

Caixa de correio do Serviço Postal dos Estados Unidos em Washington, EUA, em 10 de agosto de 2020 — Foto: Leah Millis / Reuters

As discussões no Congresso prosseguem sobre um novo projeto de lei para continuar com um estímulo de 2,2 trilhões de dólares aprovado em março para pandemia.

Os democratas propõem destinar ao Serviço Postal bilhões de dólares. Após se opor inicialmente, Trump disse que talvez possa incluir alguns recursos.

O presidente reconheceu em abril que a votação por correio "não funciona bem para os republicanos". E depois descreveu o processo como propenso à fraude.

Os especialistas discordam. Um estudo realizado neste ano pelo Centro Brennan para a Justiça da Universidade de Nova York destacou que é "mais provável que um norte-americano seja atingido por um raio do que cometer uma fraude no voto por correio".

Em uma entrevista, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Postais, Mark Dimondstein, atribuiu o lento funcionamento dos correios às medidas implementadas por Louis DeJoy, um arrecadador de fundos republicano que se comprometeu a reformar o correio.

Dimondstein disse que recentemente foi reduzido o pagamento de horas extras. Isso, combinado com os quase 40 mil trabalhadores obrigados a fazer quarentena desde março pela pandemia, tem gerado atrasos.

À medida que aumentam as preocupações sobre a capacidade do Serviço Postal de administrar o aumento esperado dos votos pelo correio, os estados buscam garantir a participação de seus residentes. A Pensilvânia pediu nesta semana a sua Corte Suprema que adie a data limite para aceitar as cédulas por correio.

 

 

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