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Lukashenko rejeita novas eleições e protesto contra o governo reúne milhares de pessoas

O presidente bielorrusso reagiu aos pedidos da oposição por novas eleições depois de acusações de fraude.

 
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O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, rejeitou neste domingo (16) os pedidos de novas eleições e fez um apelo a seus partidários para que defendam o país, ao mesmo tempo que dezenas de milhares de pessoas protestaram contra o governo em Minsk.

"Saia!", gritaram os manifestantes em um protesto na Avenida Independência, no centro de Minsk, durante o que foi chamado de "Marcha pela Liberdade".

Com flores e vestidos de branco, os participantes exibiram uma gigantesca bandeira branca e vermelha, as cores históricas da oposição.

Poucos minutos antes do início do protesto da oposição, Lukashenko, que enfrenta seu maior desafio em 26 anos de poder na ex-república soviética, fez uma aparição surpresa em uma área próxima, na Praça da Independência, onde seus partidários estavam reunidos.

"Queridos amigos, chamei vocês aqui não para que me defendam, e sim porque, pela primeira vez em 25 anos, vocês podem defender a independência de seu país e sua independência", afirmou o chefe de Estado.

O presidente bielorrusso, de 65 anos, reagiu aos pedidos da oposição por novas eleições, depois da votação organizada em 9 de agosto, quando ele obteve, de acordo com os números oficiais, 80% dos votos, mas que provocaram acusações de fraude e uma onda de protestos sem precedentes.

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"As eleições foram válidas. Não poderia haver mais de 80% dos votos falsificados. Não vamos entregar o país", disse.

Ao lado de vários seguranças, Lukashenko denunciou a vontade de alguns de impor ao país "um governo a partir do exterior".

Protesto histórico

O protesto deste domingo foi um dos maiores até hoje em desafio a Lukashenko, que chamou os manifestantes de "ovelhas" e criminosos controlados por forças estrangeiras.

Após as eleições, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas para denunciar o resultado e expressar apoio à principal candidata da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, de 37 anos e novata na política, que entrou na disputa depois que outros candidatos, incluindo seu marido, foram detidos.

Membros da elite do país aderiram aos protestos: jornalistas da televisão pública, que habitualmente seguem as ordens do governo, pesquisadores e empresários, mas também um ex-ministro da Cultura, Pavel Latushko.

Em um vídeo, o embaixador russo na Eslováquia, Igor Leshchenya, afirmou ter ficado "comovido com os relatos de tortura" e expressou solidariedade com os manifestantes.

A opositora Tikhanovskaya, que pede a organização de eleições honestas e a libertação de prisioneiros políticos, anunciou a criação de um comitê para organizar a transferência de poder.

Os protestos após as eleições foram violentamente reprimidos, com mais de 6.700 pessoas detidas, centenas de feridos e dois mortos. Durante o fim de semana foram organizadas homenagens aos manifestantes que faleceram em Minsk e em Gomel.

Desde quinta-feira, em reação à repressão, a mobilização ganhou força: correntes humanas e manifestações da oposição aconteceram em todo o país, enquanto funcionários de fábricas emblemáticas iniciaram ações de solidariedade.

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As grandes manifestações a partir de quinta-feira não registraram detenções, depois que o governo aparentemente recuou ante as críticas dos países ocidentais e anunciou a libertação de mais de 2.000 pessoas.

Medo de intervenção russa

Lukashenko, que está sob intensa pressão das ruas e do exterior desde a reeleição controversa, se aproximou da Rússia.

Neste domingo o Kremlin afirmou que está disposto a oferecer ajuda militar, se necessário, no âmbito do tratado de união entre os dois países e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), integrado por seis ex-repúblicas soviéticas.

No sábado, Lukashenko afirmou que o presidente russo Vladimir Putin prometeu ajuda para "garantir a segurança em Belarus".

Alguns manifestantes temem uma intervenção russa.

A UE anunciou na sexta-feira novas sanções contra autoridades bielorrussas vinculadas às supostas fraudes e à repressão.

Manifestantes liberados relataram à AFP péssimas condições de detenção. Privados de água, agredidos ou queimados com cigarros, dezenas deles ficaram detidos em celas com capacidade para quatro ou seis pessoas.

 

 

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