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Rendido por soldados amotinados, presidente do Mali renuncia

Não quero que sangue seja derramado , disse Ibrahim Boubacar Keita, horas após motim de militares.

 
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O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, anunciou nesta terça-feira (18) a renúncia ao cargo e a dissolução do parlamento. A decisão foi tomada horas depois de militares amotinados prenderem Keita e o primeiro-ministro, Boubou Cissé.

Vestindo uma máscara por causa da pandemia de novo coronavírus, Keita fez pronunciamento transmitido pela rede de televisão estatal. No discurso, o presidente deposto externou a pressão dos militares amotinados: "Tenho outra opção?", indagou.

"Não quero que sangue seja derramado para que eu fique no poder", disse Keita.

Até o momento, não está claro quem assumirá o comando no país e como será feita a transição. As Forças Armadas de Mali, que teve alguns dos militares de alta patente rendidos pelo motim, não se pronunciaram.

Militares do Mali desfilam em ruas da capital Bamako após motim nesta terça-feira (18). — Foto: AFP

O motim começou em uma guarnição na pequena cidade de Kati — a mesma onde teve início o movimento que derrubou o governo malinês em um golpe em 2012, que ocorreu em circunstâncias semelhantes. Na ação, os soldados se armaram e prenderam outros militares de patentes mais altas.

De acordo com a Associated Press, os militares cercaram a casa do presidente e efetuaram tiros para o alto. Imagens mostraram soldados comemorando nas ruas da capital, Bamako.

Instabilidade no Mali

Manifestante em Bamako, capital do Mali, pede a saída do presidente Ibrahim Boubacar Keita em protesto nesta terça-feira (18) — Foto: Rey Byhre/Reuters

Há dois meses, o Mali passa por protestos considerados sem precedentes que pediam a saída de Boubacar Keita. Eleito pela primeira vez em 2013, o presidente se reelegeu em 2018 com apoio da França — país que colonizou o território — e de aliados ocidentais.

A instabilidade no Mali preocupa pelo ressurgimento de facções extremistas islâmicas, sobretudo no norte do país que já foi considerado modelo regional de democracia. Jihadistas atacaram bases militares mais de uma vez nos últimos anos, o que aumentou a irritação de soldados com o governo.

Em junho, um ataque a um povoado centro do país deixou 26 mortos. Autoridades malinesas acusaram um grupo liderado por Fulani Amadou Koufa, pregador extremista islâmico que vem recrutando pessoas a uma aliança jihadista aliada do grupo terrorista Al-Qaeda.

Crise se repete

Soldados do Mali fazem blitz perto de guarnição amotinada em Kati nesta terça-feira (18) — Foto: Mohamed Salaha/AP Photo

O motim em Kati e a derrubada do número um do poder do Mali por soldados rebeldes em 2020 guarda semelhanças com o golpe militar ocorrido no país africano em 2012, quando o grupo liderado pelo capitão Amadou Haya Sanogo rendeu o primeiro-ministro e derrubou o governo.

Depois, sem escolha, Sanogo passou o poder a um governo de transição civil que organizaria as eleições presidenciais do ano seguintes, vencidas por Keita.

Desta vez, mediadores tentaram convencer o presidente malinês a aceitar um governo de unidade. Keita aceitou refazer as eleições legislativas, mas a oposição insistiu na queda do chefe de estado.

Mapa mostra a localização do Mali, onde o presidente Ibrahim Boubacar Keita, afirmou nesta terça-feira (18) que pediu renúncia do cargo e a dissolução do parlamento após um motim militar — Foto: G1

 

 

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