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Alemanha restringe visto a estudantes estrangeiros

País começa a exigir certificado de presença emitido por universidade, porém, muitos cursos passaram a ser online devido à pandemia, o que não dá direito ao visto. Para DAAD, mudança não é motivo de preocupação.

 
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Mais de 80 mil estudantes estrangeiros na Alemanha deixaram o país em abril, com salas de aula e bibliotecas fechadas devido às restrições impostas por causa do coronavírus. Com a flexibilização destas medidas, muitos acreditavam que a situação voltaria ao normal após o verão europeu. Mas um anúncio do governo alemão lançou novas dúvidas sobre o status do visto de estudante.

Para poderem solicitar um visto, estudantes de fora da União Europeia precisam de um "certificado de presença" da universidade alemã. A pandemia, porém, fez com que alguns cursos transferissem as aulas integralmente para a internet.

"Os estudantes estrangeiros que puderem comprovar que seus estudos não podem ser realizados inteiramente no exterior, devido, por exemplo, à frequência obrigatória, podem entrar no país para iniciar seus estudos", afirma um comunicado da ministra alemã da Educação, Anja Karliczek. "Mas não será permitida a entrada de alunos de cursos cujas aulas serão exclusivamente remotas ou de ensino à distância".

O anúncio ocorre cerca de dois meses antes do início dos chamados semestres de inverno na Alemanha, que corresponde ao início do ano letivo e começam, geralmente, em outubro.

A proposta foi comparada com o plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de proibir a emissão de vistos para estudantes estrangeiros que fariam cursos no país cujas aulas passaram a ser exclusivamente remotas devido à pandemia. Após provocar uma indignação generalizada, a ideia foi rapidamente abolida em julho.

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Quando Trump voltou atrás, a ministra da Educação da Alemanha saudou calorosamente a decisão. "A educação e a pesquisa sobrevivem graças ao intercâmbio, principalmente internacional. Isso também vale em tempos de pandemia", disse Karliczek na época.

Críticos acusam agora a ministra de negar a oportunidade de intercâmbio na Alemanha a estudantes estrangeiros.

"Se você é admitido em uma faculdade na Alemanha, eles deveriam lhe dar um visto", disse Kumar Ashish, da União Federal de Estudantes Internacionais na Alemanha. Ashish ressaltou que o visto deve ainda ser possível independentemente de novas restrições de viagem por causa do coronavírus.

Um obstáculo burocrático

"Este é outro obstáculo burocrático [para estudantes estrangeiros]", disse Kai Gehring, deputado do Partido Verde. "Não foi levado em consideração que um intercâmbio de estudantes é mais do que palestras e seminários. É também sobre a vida no campus e aprender sobre a cultura e a sociedade alemãs", acrescentou.

Yann Werner Prell, que trabalha com estudantes sul-coreanos na Alemanha, apontou outras falhas da decisão. "Devido às grandes diferenças de fuso, participar de aulas online no exterior é difícil, assim como trabalhar em conjunto com outros alunos", escreveu em seu perfil no Twitter. "Os alunos também trabalham com literatura de bibliotecas que não emprestam livros no exterior."

As dificuldades também são experimentadas pelo corpo docente. "Quando os alunos estrangeiros vêm para a Alemanha, trata-se também da troca de igual para igual e do diálogo em ambas as direções. Que pena, Alemanha, que suas portas permanecerão trancafiadas", disse Maha El Hissy, professora de alemão como língua estrangeira em uma universidade de Munique.

Sem motivo para alarme

O número de pessoas afetadas pelas regras permanece uma incógnita, em parte devido ao desenrolar ainda incerto da pandemia. Porém, de acordo com Michael Flacke, do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) , o número de cursos presenciais que se tornaram remoto é muito pequeno.

"Para o segundo semestre, as universidades alemãs estão planejando uma mistura de aulas online e presenciais, e, para essa 'mistura', estudantes estrangeiros de fora da UE podem vir para a Alemanha", explicou Flacke, acrescentando que a maioria dos cursos não planeja se tornar totalmente online.

Já estrangeiros de fora da UE matriculados em cursos que sempre foram à distância nunca foram elegíveis para os vistos de estudante. "Claro que já se pode estudar online a partir do exterior em uma universidade ou faculdade alemã – isso funciona muito bem aqui – mas, no momento, não se costuma fornecer visto um alemão para cursos exclusivamente virtuais", ressaltou Flacke.

Para alunos atualmente inscritos em cursos que misturam aulas online e presenciais, Flacke aconselha que se consiga um "certificado de participação" o mais rápido possível.

Mas com a ameaça de novos bloqueios e restrições de viagem pairando no horizonte, Flacke ainda recomenda cautela aos estudantes internacionais que planejam vir para a Alemanha em outubro.

 

 

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