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Polícia russa quer interrogar Navalny na Alemanha

De acordo com especialistas alemães, o opositor foi envenenado com Novichok, agente neurotóxico desenvolvido pela União Soviética para uso militar. Moscou nega qualquer envolvimento com o incidente.

 
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A polícia russa anunciou nesta sexta-feira (11) que deseja interrogar na Alemanha o opositor Alexei Navalny. De acordo com especialistas alemães, Navalny, que está internado em Berlim, foi envenenado. Moscou afirma que não há provas que apontem um crime e nega qualquer envolvimento no incidente.

O departamento de transportes do ministério do Interior da Rússia, responsável pela investigação "preliminar" do caso, enviará uma solicitação aos órgãos competentes em Berlim para que os investigadores russos possam acompanhar os alemães "quando escutarem as explicações de Navalny e também para que possam fazer perguntas e pedir detalhes".

Em 20 de agosto, Navalny, de 44 anos, passou mal a bordo de um avião e foi internado em um hospital da Sibéria. Os médicos russos disseram não ter detectado traços de envenenamento. Posteriormente, o opositor foi transferido para um hospital em Berlim e os especialistas alemães concluíram que ele foi envenenado com Novichok, agente neurotóxico desenvolvido pela União Soviética para uso militar. Navalny deixou segunda-feira (7) o coma induzido e seu estado de saúde melhorou.

  • Alexei Navalny: as duas horas dramáticas em que russo envenenado foi salvo em pleno voo

A Rússia questiona repetidamente a veracidade da informação alemã e acusa Berlim de obstruir a cooperação.

Pedidos de explicações

Os governos europeus e dos Estados Unidos pediram explicações e uma investigação exaustiva por parte da Rússia e consideram as autoridades do país as principais suspeitas pela natureza "militar" da substância utilizada.

Washington afirmou que a tentativa de assassinato foi provavelmente ordenada por "altos funcionários russos", segundo a France Presse.

A União Europeia ameaça impor sanções e a Alemanha não descarta que o caso afete o projeto de gasoduto russo-germânico Nord Stream 2.

O ministério russo das Relações Exteriores afirmou esta semana que o governo alemão usa o caso Navalny para "desacreditar a Rússia no cenário internacional". Também destacou que a recusa de Berlim a atender os pedidos russos de acesso à investigação seria considerada uma "provocação grosseira e hostil".

Outros casos de envenenamento

Vários opositores do Kremlin foram envenenados nos últimos anos. Em cada ocasião, a Rússia rejeitou as acusações contra o governo, enquanto as potências ocidentais afirmavam ter provas irrefutáveis.

O Novichok já foi utilizado contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia em 2018 na Inglaterra. De acordo com as autoridades britânicas, o serviço de inteligência militar russo (GRU) é o principal suspeito. O caso provocou sanções contra a Rússia.

Quem é Navalny?

O advogado Alexei Navalny é o criador do Fundo de Luta contra a Corrupção e se transformou nos últimos anos no principal opositor do Kremlin. Ele ficou conhecido na Rússia por suas críticas abertas ao presidente russo, Vladimir Putin, e por sua atuação via internet. Ele divulgou investigações sobre a corrupção das elites russas e do entorno de Putin.

O Fundo contra a Corrupção se concentra atualmente nas eleições locais e regionais para apresentar ou apoiar candidatos com possibilidades de vencer os aspirantes do partido governante, Rússia Unida.

A estratégia teve um sucesso relativo em setembro de 2019, na eleição para o Parlamento de Moscou, e os partidários de Navalny esperam repetir o bom desempenho nas eleições de domingo em quase 40 regiões.

 

 

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