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Congresso do Peru decide abrir processo de impeachment contra Vizcarra

Presidente foi flagrado em gravações pedindo a assessores que mentissem sobre encontro com músico acusado de corrupção.

 
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O Congresso do Peru aprovou nesta sexta-feira (11) a abertura do processo de impeachment contra o presidente Martín Vizcarra. Ele enfrenta grave crise política depois da divulgação de áudios em que pede a assessores para que mintam em um inquérito parlamentar.

A gravação mostra Vizcarra conversando com duas assessoras sobre as idas de Richard Cisneros, um músico e ex-assessor do governo, ao palácio presidencial. Elas prestariam depoimento em um inquérito sobre esse ex-funcionário.

"É preciso dizer que ele entrou duas vezes", pede Vizcarra. "O que fica claro é que nessa investigação todos estamos envolvidos", acrescenta o presidente, nos áudios.

Presidente do Peru, Martín Vizcarra, durante pronunciamento transmitido pela televisão — Foto: Andrés Valle/Peruvian presidency/AFP

A aprovação da admissibilidade do impeachment recebeu 65 votos a favor da abertura e apenas seis contra, além de 24 abstenções. Os congressistas devem debater e votar a possível saída de Vizcarra da presidência peruana na manhã da próxima sexta-feira, 18 de setembro.

Richard Cisneros, conhecido como Richard Swing, é um cantor contratado pelo governo como orador e apresentador.

O caso explodiu em maio, quando a imprensa descobriu que o Ministério da Cultura havia oferecido contratos supostamente irregulares de US$ 10 mil (cerca de R$ 53 mil) a Cisneros, um artista pouco conhecido na mídia local, em meio à pandemia do novo coronavírus.

Em vídeo divulgado nesta sexta, Vizcarra afirmou que não vai renunciar ao cargo. Para o presidente, a única questão legal que recai sobre os áudios é o que ele chama de "uso de gravação clandestina". Ele não negou, porém, o teor dos diálogos.

"Não vou negar a conversa, mas foram coordenações internas que se fazem em qualquer instituição, uma forma de esclarecer o que estava ocorrendo no marco das investigações", alegou Vizcarra.

Crises políticas no Peru

Fachada do Congresso do Peru, em Lima — Foto: Guadalupe Pardo/Reuters

Vizcarra assumiu o cargo de presidente do Peru em março de 2018, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski, conhecido pela sigla PPK — envolvido nos escândalos da empreiteira brasileira Odebrecht no país vizinho.

No ano passado, Vizcarra se viu no meio de um embate com o Congresso, à época controlada pela oposição. Após imbróglio sobre uma reforma no sistema judiciário, o presidente peruano decidiu fechar o Parlamento e convocar novas eleições, manobra prevista na Constituição peruana.

Os parlamentares tentaram destituir Vizcarra e chegaram a nomear a vice Mercedes Araós, que prestou juramento. Ela, no entanto, desistiu da manobra para retirar o presidente do cargo e pediu renúncia. Em janeiro, os peruanos elegeram novos parlamentares.

Outros presidentes peruanos passam ou passaram por acusações graves de corrupção:

  • Alan García (1985-1990, 2006-2011) - investigado por financiamento irregular de campanha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência; morreu depois de dar tiro na cabeça quando a polícia chegou à casa dele para prendê-lo;
  • Alejandro Toledo (2001-2006) - entrou na lista dos acusados de corrupção e lavagem de dinheiro por causa de uma obra faraônica;
  • Ollanta Humala (2011-2016) - detido por nove meses e solto após recurso de seus advogados, é investigado por financiamento irregular de campanha;
  • Pedro Pablo Kuczynski (PPK) (2016-2018) - renunciou em março de 2018 e foi preso preliminarmente em março de 2019.

A lista de políticos peruanos em problemas com a Justiça também inclui a líder da oposição, Keiko Fujimori — filha do ex-presidente Alberto Fujimori, também acusado de violações de direitos humanos enquanto esteve no poder. Keiko chegou a passar três meses presa neste ano por corrupção no caso Odebrecht.

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