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Venezuela volta a ter protestos por problemas com os serviços públicos, mas mobilizações são pequenas

Cerca de 5.800 protestos foram contabilizados este ano pelo Observatório de Conflitos Sociais da Venezuela: 55% deles devido a falhas de serviços públicos, como eletricidade, água e gás de cozinha; e 18%, por falta de combustível.

 
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A Venezuela voltou a ter protestos por causa da falta de gasolina e da precariedade dos serviços básicos. São atos pequenos, mas numerosos, de acordo com a agência France Presse.

Cerca de 5.800 protestos foram contabilizados este ano pelo Observatório de Conflitos Sociais da Venezuela: 55% deles devido a falhas de serviços públicos, como eletricidade, água e gás de cozinha; e 18%, por falta de combustível.

Na Venezuela há hiperinflação e recessão há sete anos. Desde que a quarentena pelo novo coronavírus foi decretada, em março, a crise social aumentou.

Crise leva à falta de combustível na Venezuela

Crise leva à falta de combustível na Venezuela

Os protestos, no entanto, não são grandes como os que ocorreram em 2014, 2017 ou 2019. Nesses anos, a oposição ao regime chavista conseguiu dar uma direção política aos atos.

A insatisfação crescente não representa uma ameaça para o presidente Nicolás Maduro, dizem analistas.

"Como não estão articulados, (os protestos) não são fortes o suficiente para causar um risco relevante para o governo", disse à AFP o diretor do instituto Datanálisis, Luis Vicente León.

Observatório de Conflitos Sociais da Venezuela

Segundo o diretor do Observatório de Conflitos Sociais, Marco Ponce, os atos são uma resposta nacional à crise no país.

Ponce afirma que a Venezuela está no início de uma onda de protestos: bloqueios de ruas, concentrações e panelaços são comuns em grandes regiões, mas não repercutem muito em Caracas.

Nos protestos que ocorreram este ano, foram registrados cem detidos, dezenas de feridos e quatro mortes, denunciaram organizações de direitos humanos e a oposição.

Militares e policiais costumam dispersar as manifestações com gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Eleições parlamentares

Os eleitores venezuelanos deverão votar para renovar o parlamento no dia 6 de dezembro. Hoje, esse é o único Poder na mão de adversários do regime chavista.

Apoiado pelos principais partidos políticos da oposição, Juan Guaidó, líder parlamentar reconhecido como presidente da Venezuela por 50 países, anunciou um boicote à votação. Para ele, a votação será uma farsa.

A legitimidade do processo eleitoral também é questionado por Estados Unidos e União Europeia.

A oposição venezuelana, no entanto, não está unida no boicote às eleições. Há dirigentes que consideram que faria sentido participar, mesmo se fosse para forçar o regime de Maduro a, de fato, cometer fraudes.

Guaidó rejeita essa ideia porque, segundo ele, já é nítido para o resto do mundo que a Venezuela é uma ditadura.

No dia 5 de janeiro encerra-se o mandato dos parlamentares chefiados por ele. Como a oposição considera que as eleições de 2020 não têm legitimidade, ela dirá que ainda são representantes eleitos, até que haja uma votação que eles considerem válida.

Pequenas manifestações

Esta semana, Guaidó pediu apoio a um protesto nacional de professores, exigindo melhores salários. A resposta foi tímida, porém, repetindo-se a imagem dos últimos tempos: múltiplas manifestações por todo país, mas com modesto comparecimento.

"A capacidade de mobilização da oposição neste momento é praticamente nula", disse León, do instituto Datanálisis.

Cera de 17% dos venezuelanos acham que Guaidó e o bloco que o apoia podem gerar uma mudança de governo, de acordo com um levantamento do Datanálisis.

O diretor da consultoria Delphos, Félix Seijas, afirma que as estruturas enfraquecidas das organizações de oposição nas províncias deixam as demandas populares "no limbo".

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