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Justiça britânica nega pedido para soltar Assange por risco de fuga

Pedido foi feito pela defesa do fundador do WikiLeaks após juíza negar a extradição do ativista para os EUA, onde é acusado de espionagem e pode ser condenado a 175 anos de prisão.

 
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Dois dias após negar a extradição de Julian Assange para os Estados Unidos, a juíza britânica Vanessa Baraitser negou nesta quarta-feira (6) liberdade condicional ao fundador do WikiLeaks.

A magistrada, que negou a extradição por motivos de saúde, alegou risco de fuga para não aceitar o pedido de liberdade sob fiança feito pela defesa do ativista.

Baraitser afirmou que "há motivos substanciais" para acreditar que, pela conduta anterior de Assange, o ativista de 49 anos fugiria novamente se fosse libertado.

Após ser solto sob fiança em 2012, o fundador do WikiLeaks Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres, onde ficou por sete anos até ser preso, em abril de 2019.

Momento em que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi preso na embaixada do Equador em Londres — Foto: Reprodução/RUPTLY

Na ocasião, ele tentava evitar sua extradição para a Suécia, onde era investigado por estupro. Anos depois, o processo foi arquivado pelas autoridades suecas.

Extradição negada

Ao negar a extradição de Assange para os EUA, Baraitser afirmou que, "diante de condições de isolamento quase total", "estou convencida de que os procedimentos descritos pelos EUA não impedirão o Sr. Assange de encontrar uma maneira de cometer suicídio".

Os EUA recorreram da decisão, o que deve prolongar a saga judicial que envolve o ativista desde 2010, quando o site WikiLeaks publicou centenas de milhares de documentos militares e diplomáticos confidenciais de Washington.

Entre os documentos estava um vídeo que mostrava helicópteros de combate americanos atirando contra civis no Iraque em 2007. O ataque matou várias pessoas em Bagdá, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

O vazamento revelou também atos de tortura e outros abusos. O governo americano alega que Assange colocou em perigo as vidas de seus informantes com a publicação dos documentos secretos sobre as ações militares no Iraque e no Afeganistão.

Assange foi denunciado por promotores americanos por 17 acusações de espionagem e uma de uso indevido de computador e pode ser condenado a 175 anos de prisão.

A defesa do ativista argumenta que o fundador do WikiLeaks estava agindo como jornalista e tem direito às proteções da Primeira Emenda da Constituição americana em relação à liberdade de expressão.

Os advogados do australiano também afirmam que os EUA querem transformá-lo em um castigo "exemplar" em sua "guerra contra os jornalistas investigativos" e Assange não terá um julgamento justo no país.

 

 

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