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Pelo nono dia seguido, Mianmar tem protestos contra o golpe e junta militar aumenta repressão

Forças de segurança realizam prisões noturnas, encarceraram jornalistas e publicaram listas de ativistas procurados. Chefes da junta militar serão ''responsabilizados'' pela violência, alertou relator da ONU.

 
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Neste domingo (14), a junta militar governante em Mianmar continuou a intensificar a repressão aos protestos em massa contra o golpe de Estado, com patrulhas noturnas, prisões e ameaças contra quem abriga ativistas.

O período democrático de 10 anos do país terminou abruptamente há quase duas semanas com a tomada do poder pelos militares, que derrubaram e prenderam a chefe de governo Aung San Suu Kyi.

Pelo nono dia consecutivo, milhares de pessoas foram às ruas em manifestações contra os militares. São os maiores protestos populares no país em mais de uma década.

Os chefes da junta militar serão "responsabilizados" pela violência em Mianmar, alertou o relator da ONU neste domingo (14), em um momento em que foram destacadas tropas, suscitando temores de uma repressão iminente do movimento de protesto contra o golpe.

"É como se os generais tivessem declarado guerra ao povo birmanês. À atenção dos generais: vocês serão responsabilizados", tuitou Tom Andrews, Relator Especial das Nações Unidas para Mianmar.

Além do envio de tropas, a ONG NetBlocka afirma que haveria "cortes de internet" no país.

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Em Yangon, principal cidade de Mianmar, manifestantes se reuniram em vários locais, inclusive perto do famoso templo Shwedagon, para exigir o retorno da democracia e a libertação de sua líder.

As forças de segurança de Mianmar prenderam cinco jornalistas após disparar contra manifestantes na cidade de Myitkyina, no norte do país, segundo a imprensa local. Não foi possível averiguar se os soldados dispararam com balas reais ou de borracha.

Foto riscada do general Min Aung Hlaing é colocada na rua durante uma manifestação contra o golpe militar no centro de Yangon, neste domingo (14) — Foto: AP

Desde o início do movimento, os militares já prenderam cerca de 400 políticos, ativistas e civis, entre jornalistas, médicos e estudantes.

O conselho liderado pelo general Min Aung Hlaing publicou uma lista de sete dos ativistas que buscam ativamente promover os protestos. "Se você encontrar algum dos fugitivos mencionados ou se tiver alguma informação sobre eles, dirija-se à delegacia de polícia mais próxima", disse um comunicado à mídia estatal neste domingo.

Também neste domingo, a embaixada dos Estados Unidos em Mianmar alertou sobre movimentos de tropas e possíveis "interrupções de telecomunicações" em Yangon a partir desta segunda-feira (15).

Na Tailândia, imigrantes de Mianmar protestaram contra o golpe em seu país natal na frente do prédio da ONU, em Bangcoc — Foto: Lilian Suwanrumpha/AFP

Mais poderes para as forças de segurança

Presa novamente em 1º de fevereiro, a chefe de governo, Aung San Suu Kyi, não foi vista desde então, embora seu partido diga que ela estava "bem de saúde", mantida incomunicável em uma residência em Naipyidó, capital administrativa de Mianmar.

No sábado (13), o general Min Aung Hlaing concedeu poderes de emergência às forças de segurança, que podem conduzir buscas domiciliares sem mandado ou deter pessoas por curtos períodos sem permissão de um juiz.

A situação em Mianmar foi alvo de inúmeras condenações internacionais nas últimas duas semanas, mas elas não tiveram efeito sobre os militares.

A Junta afirma ter assumido o poder de acordo com a Constituição e ordenou aos jornalistas do país que parassem de falar sobre isso como um "governo golpista".

"Alertamos jornalistas e meios de comunicação para não escreverem com o objetivo de causar desordem pública", disse o Ministério da Informação em nota enviada a um grupo de correspondentes estrangeiros no sábado (13).

Houve manifestações de solidariedade aos birmaneses na vizinha Tailândia, que abriga uma grande comunidade de trabalhadores imigrantes do país, assim como nos Estados Unidos, Japão e Austrália.

Mas os aliados tradicionais do exército birmanês, incluindo a Rússia e a China, pedem que não se interfira nos "assuntos internos" de Mianmar.

 

 

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