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Equador: Indígenas marcham rumo a Quito para denunciar fraudes na eleição presidencial

Diferentes confederações de indígenas anunciaram marchas até a capital Quito, para pressionar o Conselho Eleitoral a revisar os resultados que impediram Yaku Pérez de disputar o segundo turno.

 
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A delegação de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviada ao Equador para acompanhar a eleição presidencial no país fez nessa segunda-feira (16) um "apelo enérgico" para que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) equatoriano forneça informações claras sobre a apuração dos votos do primeiro turno da votação, realizado em 7 de fevereiro. Os indígenas equatorianos iniciaram uma marcha para Quito denunciando fraudes que tiraram do segundo turno o candidato Yaku Pérez.

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A OEA está "preocupada" com a recontagem de 6 milhões de cédulas, que representam 45% dos votos, anunciada no sábado (13). A missão de observadores exortou o CNE a "garantir rigor e transparência para todas as forças políticas envolvidas no processo eleitoral" e também o respeito ao calendário eleitoral. A campanha para o segundo turno está prevista entre 16 de março e 8 de abril, e a votação no dia 11 de abril.

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De madrugada, o sistema de resultados preliminares do Conselho Nacional Eleitoral do Equador mostrou uma disputa intensa pelo segundo lugar. Cerca de 97% das urnas foram apuradas, mas 14% vão ser revisadas, porque a diferença entre os dois candidatos é de apenas 5.200 votos.

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A situação também inquieta o atual presidente equatoriano Lenín Moreno, cujo mandato termina em 24 de maio. Pelo Twitter, ele incitou o CNE à "transparência e ao bom senso".

A margem estreita de votos entre o segundo e o terceiro colocados na votação provocou a contestação dos resultados. A recontagem parcial foi feita a pedido dos candidatos Yaku Pérez, líder indígena e advogado ambientalista, e Gullermo Lasso, ex-banqueiro conservador. O líder indígena aponta fraudes na apuração.

Com mais de 99% dos votos apurados, Yaku Pérez, de 51 anos, está em terceiro lugar, com 19,38% dos votos, enquanto Guillermo Lasso, de 65 anos, teria se classificado para o segundo turno com 19,74%. Faltam ser contabilizadas apenas 0,16% das cédulas.

O vencedor do primeiro turno foi o economista de esquerda Andrés Arauz, que obteve 32,71% dos votos. Arauz, de apenas 36 anos, é apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, condenado por corrupção e exilado na Bélgica.

Protestos indígenas

Duas grandes organizações indígenas, a Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador (Ecuarunari) e a Confederação de Nacionalidades e Povos Indígenas da Costa Equatoriana (Conaice), anunciaram marchas até a capital Quito, para pressionar o Conselho Eleitoral a revisar os resultados que impediram Yaku Pérez de disputar o segundo turno.

O protesto contra as fraudes foi anunciado durante uma entrevista coletiva à imprensa pelo presidente da Ecuarunari, Carlos Sucuzhañay. Segundo ele, além da marcha para Quito, manifestações regionais estão sendo organizadas desde a meia-noite desta terça-feira (16) em todo o país.

Desde o primeiro turno da eleição presidencial e legislativa de 7 de fevereiro, os indígenas e militantes de esquerda realizam várias manifestações pacíficas em apoio a Yaku Pérez diante das sedes do CNE em Quito e em Guayaquil, a segunda maior cidade do país.

"Não aceitaremos uma fraude eleitoral em nosso país", declarou Sucuzhañay. Ele ressaltou que até agora os indígenas se dirigiram às autoridades eleitorais competentes "de maneira democrática e pacífica".

A Conaice também convocou uma "marcha pacífica e sem violência" para exigir que "o CNE respeite o resultado das urnas", informou o presidente da confederação indígena, Javier Aguavil.

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