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Mianmar tem novos protestos após morte de manifestante; família de vítima pede que atos contra o golpe continuem

Mya Thwet Thwet Khine, de 20 anos, foi baleada na cabeça durante um dos atos no país.

 
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Os protestos contra o golpe militar em Mianmar continuaram nesta sexta-feira (19), dia da confirmação da morte da manifestante Mya Thwe Thwe Khine — a primeira vítima da repressão aos atos que pedem a devolução do poder aos civis.

Nas manifestações, cartazes levantados pediam que os birmaneses adotassem a desobediência civil como forma de tirar a credibilidade do regime militar. Alegando fraude eleitoral, a junta tomou o poder em 1º de fevereiro, após prender a cúpula do governo e a maior liderança política de Mianmar, Aung San Suu Kyi.

  • ENTENDA: O golpe militar em Mianmar

Manifestantes ignoram repressão e fazem protesto nesta sexta-feira (19) pedindo desobediência civil contra o golpe militar em Mianmar — Foto: AP Photo

Mais uma vez, a internet do país sofreu cortes para tentar dissipar os protestos. Ainda assim, milhares foram às ruas, e a polícia em cidades como Yangon fechou o acesso a ruas e montou cordões de isolamento.

A irmã da ativista morta pediu nesta sexta que os manifestantes não deixassem de protestar. O funeral da manifestante está previsto para este domingo, e os organizadores dos atos em Mianmar já veem a ativista como uma mártir do movimento contra o golpe.

"Por favor, participe até que atinjamos nossos objetivos", afirmou Mya Thatoe Nwe, irmã da vítima.

Corpo de jovem vítima de protestos em Mianmar é retirado de hospital em Naypyitaw nesta sexta-feira (19) — Foto: AP Photo

Mya Thwe Thwe Khine levou um tiro na cabeça de metralhadora Uzi enquanto protestava contra a junta militar, em 9 de fevereiro. Ela usava um capacete de motociclista, mas o equipamento não foi suficiente para protegê-la.

De acordo com a análise de vídeos e imagens de diversas organizações humanitárias, a jovem foi baleada quando tentava sair da linha de frente de uma manifestação que estava sendo interrompida com canhões de água pela polícia.

O comando militar que comanda Mianmar não negou que disparou intencionalmente na ativista e disse que ela estava com um grupo que "jogou pedras nas forças de segurança". Entretanto, não há relatos de que a vítima tenha realmente participado de violência.

VÍDEO: Adolescente baleada pela polícia se torna símbolo de protestos em Mianmar VÍDEO: Adolescente baleada pela polícia se torna símbolo de protestos em Mianmar 1 min VÍDEO: Adolescente baleada pela polícia se torna símbolo de protestos em Mianmar

VÍDEO: Adolescente baleada pela polícia se torna símbolo de protestos em Mianmar

Mya Thwate Thwate Khaing levou um tiro na cabeça durante protesto contra o golpe militar. Ela está lutando por sua vida em um hospital na capital de Mianmar, Naypyitaw.

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Centenas de detidos

O regime militar tem continuado a prender aliados de Aung e manifestantes, para tentar desmobilizar as manifestações contra o regime imposto no início do mês. A Associação de Ajuda a Presos Políticos (AAPP), com sede em Yangon, relatou mais de 520 detenções desde o golpe militar de 1º de fevereiro.

Aung, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 75 anos, não é vista desde sua prisão domiciliar. Formalmente, ela está sendo acusada por motivos não políticos, como a importação ilegal de walkie-talkies e de ter violado "a lei sobre a gestão de catástrofes naturais". A previsão é que a líder birmanesa compareça à Justiça em 1º de março.

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