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Ramal do Agreste promete distribuir água para até 2,2 milhões de pessoas

Início dos testes aconteceu neste mês de fevereiro, no ramal de 70,8 quilômetros de extensão que vai levar as águas do Eixo Leste do Projeto São Francisco, na região de maior escassez hídrica de Pernambuco

 

O acionamento das comportas do 1º trecho do Ramal do Agreste, em Sertânia (PE), representou um passo importante para combater a escassez hídrica de Pernambuco. A ação foi realizada neste mês de fevereiro, para dar início aos testes do Ramal, que vai distribuir a água do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco para a população do local, em conjunto com a Adutora do Agreste.

A abertura das comportas deste trecho, chamado de Marco 1, foi realizada no reservatório de Barro Branco pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Os testes devem durar cerca de 80 dias. 

Após a testagem de todas as estruturas do Ramal e da Adutora do Agreste, o abastecimento pode ser iniciado. Para Rogério Marinho, um dos destaques desse acionamento é a quantidade de pessoas que serão beneficiadas com o Ramal do Agreste. 

“Quase dois milhões de irmãos pernambucanos vão ter água tratada nas suas residências, vão abrir as suas torneiras e ter a alegria de saber que as suas famílias vão ter saúde, segurança e dignidade”, disse o ministro. A iniciativa beneficia ainda 68 municípios.

As águas que saem da comporta de Barro Branco passam por oito trechos de canais, quatro sifões e três túneis, um caminho de 37,4 quilômetros. No fim, ela chega ao Reservatório Góis, que consegue armazenar 14,7 milhões de metros cúbicos de água. O Marco 1 do Ramal do Agreste é integrado por toda essa estrutura e mais dois trechos, com previsão de conclusão até julho de 2021. 

Impactos

No total, o Ramal do Agreste tem 70,8 quilômetros de extensão e capacidade de vazão de 8 mil litros de água por segundo. Thiago Portela, coordenador geral de obras e fiscalização do MDR, lembra a importância da iniciação para desenvolver a região. “Enquanto estiver em operação esse ramal e o eixo leste, que já está em pré-operação, a questão é dar água a quem precisa. E água é um grande vetor de desenvolvimento”, afirma. 

Essa melhoria é citada por Mateus Portilho Santos, pedreiro da região. “Essas obras contribuíram muito na geração de emprego para nossas cidades, deram profissão a milhares de sertanienses que não tinham profissão”, avaliou. Quando finalizado, o Ramal do Agreste vai levar as águas do Eixo Leste do Projeto São Francisco, que está em pré-operação desde 2017. 

João Roberto de Souza, morador de Pernambuco, também lembra das dificuldades em realizar o trabalho de agricultura em Sertânia. “Para utilização assim de fazer irrigação, plantar, por aqui a gente não estava com esse recurso ainda não”, lamenta.

Testes

Marcelo Asfora, engenheiro civil e pesquisador do Núcleo de Inovação Social da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), explica que os testes realizados após o acionamento das comportas servem para comprovar a operacionalidade das obras e fazem parte da atividade política. “Todos os presidentes, desde o princípio da obra, inauguraram uma parte dela, que ainda precisa ser concluída”, lembra.

O especialista, ex-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima, detalha ainda que 90% da parcela de água do São Francisco que Pernambuco tem direito vem através do Ramal do Agreste, que é distribuído através da Adutora do Agreste. 

“São duas obras essenciais, sem as quais os municípios, a população de Pernambuco, não vão ter acesso às águas do São Francisco. O Ramal do Agreste está chegando muito atrasado, já era para estar pronto há mais de dez anos. Mas é essencial. O agreste de Pernambuco é a região do Brasil de maior déficit hídrico. Então, as águas do São Francisco são essenciais para abastecer e dar segurança hídrica aos municípios dessa região.”

A obra do Ramal do Agreste tem investimento federal de R$ 1,67 bilhão e emprega cerca de 2,6 mil trabalhadores. Na totalidade, o Projeto de Integração do Rio São Francisco, maior empreendimento hídrico do País, tem investimento estimado em mais de R$ 12 bilhões. 
 

 

 

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