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Ativistas pró-democracia de Hong Kong são condenados por protesto em 2019

Condenações ocorrem em meio ao avanço da China sobre o território semi-autônomo, que até 1997 foi uma colonização britânica. Governo chinês proibiu protestos, impôs uma lei de segurança nacional e mudou o sistema eleitoral da ilha para restringir o p

 
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Nove ativistas pró-democracia de Hong Kong foram condenados nesta quinta-feira (1º) por organizar uma das maiores manifestações de 2019. As penas serão divulgadas no dia 16, e eles podem ser sentenciados a até cinco anos de prisão.

Entre os condenados estão algumas das personalidades mais respeitadas da luta pelas liberdades na ex-colônia britânica, que defendem a não-violência e lutam há décadas por democracia na cidade, que voltou a fazer parte da China em 1997.

Um dos mais conhecidos é o advogado Martin Lee, de 82 anos. Antes do fim da colonização britânica, em 1997, Lee foi escolhido por Pequim para redigir a "Lei Fundamental" de Hong Kong, que funciona como uma "mini-Constituição" da região semiautônoma.

Também foram condenados a ex-deputada da oposição e advogada Margaret Ng, de 73 anos, assim como o magnata da mídia Jimmy Lai e o ex-deputado Leung Kwok-hung.

Lai e Kwok-hung estão em prisão preventiva por outros processos com base na lei de segurança nacional imposta por Pequim em junho de 2020.

A lei foi uma resposta do governo chinês à onda de protestos de 2019. A justificativa era reprimir o "separatismo", o "terrorismo", a "subversão" e o "conluio com forças externas e estrangeiras".

Os demais condenados são da Frente Civil pelos Direitos Humanos, coalizão que organizou as manifestações de 2019, quando a cidade mergulhou em sua pior crise política desde a transferência da soberania em 1997, com ações e mobilizações quase diárias e confrontos com a polícia.

'Estamos muito orgulhosos'

O Tribunal do Distrito de Hong Kong declarou sete ativistas culpados por organizar e participar de um comício ilegal. Outros dois se declararam culpados.

"Estamos muito orgulhosos, ainda que tenhamos que ir para a cadeia por isso", disse o ex-deputado e líder sindical Lee Cheuk-yan a repórteres. "Independentemente do que o futuro nos reserva, nunca vamos parar de ir às ruas".

O grupo foi responsável por reunir 1,7 milhão de manifestantes em 18 de agosto de 2019, uma das maiores mobilizações durante os sete meses de protestos. O número equivale a quase um quarto de todos os 7,5 milhões de habitantes de Hong Kong.

Durante horas, uma grande passeata tomou pacificamente as ruas do centro da cidade.

Espectadores observam manifestantes em Hong Kong, neste domingo (18) — Foto: Tyrone Siu/ Reuters

A acusação alegou que os nove desafiaram a proibição de se manifestar, causando problemas no tráfego de automóveis.

Na sentença, a juíza AJ Woodcock advertiu que estava inclinada a impor a pena máxima aos réus e deu a entender que a natureza pacífica do protesto não era uma desculpa válida.

"As considerações de ordem pública não se limitam apenas aos casos de violência, mas também às graves perturbações do tráfego, como foi o caso", diz a sentença.

Impacto dos protestos

A popularidade do protesto se refletiu nas urnas, com a vitória da oposição nas eleições locais de novembro de 2019. Mas o movimento perdeu no início de 2020, pelas restrições impostas contra a pandemia do coronavírus, pelas milhares de prisões e por um certo cansaço dos manifestantes.

A única vitória concreta do movimento foi a desistência do governo local de uma polêmica lei de extradição, que previa o julgamento de alguns casos na China continental.

Mas a China impôs em junho a lei de segurança nacional e, na terça-feira (30), uma drástica reforma do sistema eleitoral de Hong Kong, que reduziu o número de parlamentares eleitos diretamente e, na prática, impede a oposição de obter maioria no legislativo local (veja no vídeo abaixo).

China aprova reforma drástica no sistema eleitoral de Hong Kong

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Além disso, as manifestações estão proibidas no território semi-autônomo e as autoridades usaram a pandemia para adiar por um ano as eleições legislativas, nas quais a oposição tinha chances de ver refletida a popularidade do movimento.

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