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Familiares de mortos no Guamá apontam negligência policial: ‘inocentes tratados como bandidos'''

Motorista de aplicativo e passageiro foram abordados por criminosos, que os fizeram reféns. Durante tiroteio com a PC, as vítimas morreram baleadas. Caso revoltou população.

 

Vizinhos e familiares de duas pessoas que morreram durante ação da Polícia Civil, no bairro do Guamá, em Belém, na quinta-feira (1), afirmam que houve despreparo e negligência dos agentes de segurança na abordagem. O motorista João Batista e o passageiro Luiz Henrique tiveram o carro invadido por criminosos, e foram mantidos reféns. Colocados no porta-malas, eles foram baleados durante o tiroteio entre os criminosos e a polícia. Um suspeito também morreu. Outras três pessoas ficaram feridas, entre elas, um policial.

Após o crime, parentes e vizinhos de João e Luiz interditaram a Rua dos Mundurucus. Eles disseram que João e Luiz não faziam parte do grupo criminoso. “As pessoas que morreram são inocentes, pessoas honestas e foram colocadas como bandidos. São trabalhadores. Não é porque nós moramos em uma baixada que todo mundo é bandido”, diz Carmen Lúcia do Rosário, vizinha das vítimas.

Segundo testemunhas, João Batista era motorista e levava o vizinho Luiz Henrique para casa. O condutor tinha acabado de encerrar a corrida e parou na Rua dos Mundurucus. Em seguida, o carro foi invadido pelos criminosos. O motorista foi colocado no porta-malas do veículo com o passageiro.

Os dois reféns percorreram mais de 2 quilômetros. Depois de percorrer diversas ruas no Guamá, o carro parou na passagem Redenção com a Caraparu, onde começou o tiroteio. Em um vídeo que registrou o confronto entre os policiai e os ocupantes do carro prata, é possível ouvir 36 tiros em um minuto e meio.

“Foi informado para a polícia que havia reféns. Eles disseram que estavam cientes e que já estavam acompanhando o caso. A polícia foi informada e infelizmente agiu de forma imprudente. Se eles estavam sabendo que tinha refém, então não era para eles chegarem metendo bala e colocando em risco a vida das pessoas”, critica um familiar que não quis ter a identidade revelada.

Segundo a Polícia Civil, na abordagem ao veículo, a equipe foi recebida a tiros. Os disparos atingiram seis pessoas, entre elas um policial. Três pessoas morreram e duas foram socorridas no pronto socorro Mário Pinotti, na travessa da 14 de Março.

Músico, João Batista Macedo tinha 36 anos, era tecladista profissional de um grupo gospel. Para ajudar a compor renda, ele trabalhava como motorista de aplicativo.

“Era trabalhador. Saía todo dia de manhã para trabalhar. Ele tinha 4 filhos”, conta outra familiar.

“Houve um despreparado. A polícia está aqui para defender a família, a sociedade. E não foi feito isso. Foi morto como um bandido, um ladrão, e ele não é isso que ele é, é um musico, motorista de aplicativo, pai de família, cristão, e morreu dessa forma”, critica.

O passageiro que era cabeleireiro que também foi atingido pelos tiros. Ninguém da família quis gravar entrevista.

Perícia

Peritos analisaram a cena do crime. O carro prata ainda deve ser periciado. O Centro de Perícias Científicas Renato Chaves informou que o corpo de João Batista não está com requisição policial para ser periciado. Este documento é uma das exigências legais para realização do exame de necropsia.

Segundo o CPC, apenas após o exame que o corpo pode ser liberado. O centro explica que os familiares da vítima foram orientados a solicitar a requisição em uma delegacia de polícia.

Sobre o estado de saúde das três pessoas que ficaram feridas no tiroteio, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que o boletim médico ainda será divulgado. A PC diz que investiga o caso.

 

 

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