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Novo chanceler de Bolsonaro promete '''diplomacia da saúde''' e atuação '''sem preferências'''

Carlos Alberto Franco França, que substitui Ernesto Araújo, tomou posse nesta terça 6 , junto com outros novos ministros. Política externa brasileira dará atenção à urgência climática, disse.

 
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O novo ministro das Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França, afirmou nesta terça-feira (6) que o serviço diplomático do Brasil no exterior trabalhará por uma “verdadeira diplomacia da saúde” com vistas a conseguir vacinas e medicamentos necessários para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 no país.

Ele também declarou que pretende engajar o país em esforços de cooperação internacional “sem preferências desta ou daquela natureza”.

França deu as declarações em seu discurso de posse, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores. O embaixador, que substituiu no cargo Ernesto Araújo, participou de cerimônia no Palácio do Planalto, sem cobertura da imprensa. Na mesma cerimônia, outros novos ministros também tomaram posse (leia mais abaixo).

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Ex-chefe do cerimonial da Presidência, França era assessor-chefe de Bolsonaro quando o presidente decidiu, na semana passada, demitir Araújo, diante da pressão de aliados do governo no Congresso.

A política externa de Araújo, marcada por alinhamento ao ex-presidente dos EUA Donald Trump e por crises com países como China, foi alvo de críticas por prejudicar a chegada ao Brasil de insumos e vacinas contra Covid-19.

Desenvolvimento sustentável

No discurso, França afirma que o momento é de urgências na saúde, na economia e no desenvolvimento sustentável e que recebeu de Bolsonaro a missão de enfrentá-las, sendo que a “primeira urgência é o combate à pandemia da Covid-19”.

“As Missões diplomáticas e Consulados do Brasil no exterior estarão cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde. Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contatos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis”, declarou.

França também disse que o Itamaraty aumentará as consultas a governos e farmacêuticas, “na busca de remédios necessários ao tratamento dos pacientes em estado mais grave”.

França assegurou que a diplomacia está mobilizada para atender demandas das autoridades de saúde e afirmou que pretende dialogar também com outras esferas do governo e com o Congresso Nacional.

“Meu compromisso, enfim, é engajar o Brasil em intenso esforço de cooperação internacional, sem exclusões. E abrir novos caminhos de atuação diplomática, sem preferências desta ou daquela natureza”, declarou.

O ministro citou que, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil defende a “necessidade de um consenso amplo que garanta acesso a vacinas, com mais produção e melhor distribuição”.

Economia e clima

França afirma no discurso que Bolsonaro “ensina” que os brasileiros querem vacinas e emprego, apesar de o presidente ter dado, ao longo do ano, declarações que questionavam a eficácia dos imunizantes.

O ministro defendeu a “modernização da economia” e citou a necessidade de melhor integração às cadeias globais e de abertura comercial.

França também citou a “urgência climática”, tema que voltou à agenda do governo Bolsonaro após a saída de Trump e chegada de Joe Biden à presidência dos EUA. Ernesto Araújo era criticado por declarações que questionavam as mudanças climáticas.

“Por fim, temos a urgência climática. É urgência em outra escala de tempo – mas é urgência. Aqui, como em outras áreas, vemos diante de nós a oportunidade de manter o Brasil na vanguarda do desenvolvimento sustentável e limpo”, disse.

O chanceler declarou que é preciso mostrar que o Brasil tem uma matriz energética “predominantemente renovável” e que a produção agropecuária “tem a marca da sustentabilidade”.

A política ambiental de Bolsonaro é criticada desde o início do mandando, em especial pelos índices de desmatamento e queimadas na região amazônica. França declarou que não se trata de negar os desafios.

“Não se trata de negar os desafios, que obviamente persistem. O fato é que o Brasil, em matéria de desenvolvimento sustentável, está na coluna das soluções”, afirmou.

Organismos multilaterais

França, que sucede um chanceler crítico a órgãos como as Nações Unidas, afirmou que o Brasil sempre foi "relevante" no diálogo entre países, o que, no entanto, isso não significa que o país precise aderir a "toda e qualquer tentativa de consenso que venha a emergir, nas Nações Unidas ou em outras instâncias".

"Não precisa ser assim e não pode ser assim. O que nos orienta, antes de tudo, são nossos valores e interesses. Em nome desses valores e interesses, continuaremos a apostar no diálogo como método diplomático. Método que abre possibilidades de arranjos e convergências que sempre soubemos explorar em nosso favor. O consenso multilateral bem trabalhado também é expressão da soberania nacional", disse.

Flávia Arruda (Secretaria-Geral) discursa durante cerimônia de posse de novos ministros — Foto: Marcos Corrêa/PR

Outras posses

Também fizeram discursos de posse na cerimônia os novos ministros Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Anderson Torres (Justiça), Braga Netto (Defesa) e André Mendonça (Advocacia-Geral da União).

Segundo o Planalto, Anderson Torres afirmou que sua pasta trata de temas que “são a espinha dorsal da paz e da tranquilidade” do país, em especial neste momento de pandemia, com impacto negativo na economia.

“Neste momento, a força da segurança pública tem que se fazer presente, garantindo a todos um ir e vir sereno e pacífico”, disse.

O novo chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, declarou que Bolsonaro é o “grande articulador político” do governo e disse que estar pronto para trabalhar “de forma responsável, transparente e acessível para alcançar o pleno alinhamento das necessidades sociais” do país.

Flávia Arruda, nova titular da Secretaria de Governo, declarou que o momento é “de diálogo, de compreensão, de solidariedade e de trabalho pelo Brasil”.

Já Mendonça, que retornou à AGU, disse que a pasta é uma instituição essencial à Justiça e ao Estado, sendo que os servidores “devem e estarão empenhados em garantir o desenvolvimento do País, a não criminalização da política e o respeito às instituições”.

Em seu discurso, Braga Netto afirmou que as Forças Armadas seguirão com o combate à Covid-19. como missão prioritária.

Discursos do presidente

Após as cerimônias, o Planalto divulgou transcrições dos discursos do presidente Jair Bolsonaro.

Na posse de Torres na Justiça, Bolsonaro afirmou que o novo ministro tem a “sua própria Polícia Federal” na estrutura da pasta e elogiou o trabalho do atual diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Eduardo Aggio. O presidente disse que mudanças são naturais e sinalizou aval a trocas no ministério planejadas por Torres.

“São naturais, as mudanças. E a gente sabe que você [Torres], todas as mudanças que efetuará no seu ministério, é para melhor adequá-lo ao objetivo, ao qual você traçou. Você quer o Ministério da Justiça, o mais focado possível para o bem de todos em nosso país”, disse.

Na posse de Ramos na Casa Civil, Bolsonaro afirmou que aprendeu que a confiança é mais importante do que o currículo das pessoas indicadas para os cargos – o presidente, que é capitão do Exército, é amigo há décadas de Ramos, general da reserva.

“Agora, aprendi também depois da terceira idade, que o currículo é muito importante. Mas tem algo que é muito, muito mais importante que o currículo, é a confiança nas pessoas. E assim nós devemos montar a equipe que se propõe, se voluntaria a estar conosco, em especial nos momentos difíceis”, disse.

Defesa

Novo ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto afirmou que a pasta manterá o trabalho dentro dos limites da Constituição, tendo, no momento, como prioridade, o combate à pandemia e o auxílio na campanha de vacinação.

"A Defesa continua com a sua missão constitucional de defesa da pátria e dos poderes constitucionais e, conforme a orientação do senhor (Bolsonaro), dentro das quatro linhas do que prevê a Constituição", disse.

Braga Netto ainda fez um agradecimento ao trabalho dos ex-comandantes do Exército (Edson Pujol), da Marinha (Ilques Barbosa) e da Aeronáutica (Antonio Carlos Bermudez), demitidos por Bolsonaro na semana passada.

Os ex-comandantes e os novos chefes das Forças (general Paulo Sérgio Nogueira, almirante Almir Garnier Santos e brigadeiro Baptista Junior) participaram da cerimônia.

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