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CPI da Vale: Deputados criticam altos investimentos no Ceará, mesmo o Pará sendo maior fonte de extração mineral

Parlamentares visitam o empreendimento Complexo Siderúrgico do Pecém CSP , em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

 
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Deputados da CPI da Vale, na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), afirmam que projetos de verticalização não foram instalados no Pará, como feito nas atividades da empresa no Complexo Siderúrgico do Pecém (CSP), instalado desde 2016 em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

O complexo é uma associação de sociedades binacional, formada pela brasileira Vale - que detém 50% de participação - e pelas sul-coreanas Dongkuk, com 30%, e Posco, com 20%.

A conclusão feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito, após visita ao empreendimento na sexta (3), é que a empresa tem priorizado investimentos no Ceará, sendo que a dois terços do minério de ferro processado no CSP é extraído no Pará - 2,8 milhões de toneladas/ano. O restante tem origem de Minas Gerais e Espírito Santo - 1,1 milhão de toneladas por ano, somados.

Nesta semana, a CPI deve convocar novos executivos para prestarem depoimentos sobre o assunto.

Investimentos

Os investimentos em São Gonçalo do Amarante são da ordem de US$ 5,4 bilhões, tornando o CSP a primeira usina integrada no Nordeste e a trigésima instalada no Brasil. Em 2020, foram comercializadas 2,8 toneladas de placas de aço, sendo que 14% foram pra usinas brasileiras. Os principais compradores são os Estados Unidos, Canadá, México, Itália e outros países da Europa.

Na visita, os deputados pretendiam saber o que motivou a Vale a investir em volumosos recursos no Ceará e a verticalizar a produção em outro estado, sendo que todo minério processado na siderúrgica do CSP tem origem em solo do Pará, onde existem as maiores jazidas de minério e com alto teor de qualidade.

Dados da Vale apontam que, em Carajás, onde tem a maior mina minério de ferro a céu aberto do mundo, teve produção de 190 milhões de toneladas de 2020.

“Lá (no Ceará), foram criados 5 mil empregos, sendo que a matéria prima sai do nosso estado e não se tem investimentos dessa envergadura aqui no Pará, que é o principal gerador de renda dessa empresa", afirmou o presidente da CPI, deputado Eraldo Pimenta (MDB).

Segundo o deputado, aproximadamente há 10 anos, o povo paraense espera pela construção da Aços Laminados do Pará (Alpa), em Marabá, "uma antiga promessa da mineradora Vale que não saiu do papel".

Os parlamentares foram recebidos por Marcelo Botellho, presidente do CSP, e o gerente de logística, Marcelo Faria. Eles conferiram informações sobre as operações e logísticas do empreedimento, e o pátio da fábrica, onde é feito todo o processamento da matéria - prima.

“Na realidade a gente vê que os lucros obtidos pela Vale no Pará garantem condição e possibilidades de promover incentivos e trazer investidores para o nosso estado. Se teve a atração de coreanos para o Pecém, por que não ao estado do Pará?", anuncia Pimenta.

Em nota, a Vale disse, neste sábado (5), que "em seu compromisso de transparência com a sociedade, está colaborando ativamente com a CPI prestando todo e qualquer esclarecimento sobre a sua atuação no Estado do Pará". Diz ainda que "importante ressaltar que a empresa já recebeu diligência da comissão nas operações de Marabá, Parauapebas e Canaã dos Carajás e está atendendo as convocações para oitivas da CPI".

CPI

Instalada no dia 26 de maio deste ano, a CPI tem como finalidade, apurar entre outras questões, a concessão de incentivos fiscais à empresa, o suposto descumprimento de condicionantes ambientais pela Vale, a ausência de segurança em barragens, se houve repasses incorretos de recursos aos municípios e o cadastro geral dos processos minerários existentes na região, de acordo com a Alepa.

Veja outras notícias do estado no G1 Pará

 

 

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