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Análise: nova lei do aborto no Texas foi pensada e aprovada por homens

Lei que transforma cidadãos em fiscais de aborto remunerados foi aprovada por um legislativo de maioria masculina. Que liberdade têm as mulheres se não participam das decisões que dizem respeito a elas?

 

Entrou em vigor recentemente a nova lei de aborto do Texas, uma das mais restritivas do pais.

Será que ela foi criada por um homem ou por uma mulher? E quem votou para a lei entrar em vigor foram, na maior parte, homens ou mulheres?

A nova lei proíbe o aborto depois da sexta semana de gestação. Não abre exceção pra casos de estupro ou incesto.

A lei ainda transforma cidadãos comuns no que a gente pode chamar de “fiscais do aborto”. Isto quer dizer que qualquer pessoa pode processar médicos, enfermeiros ou até um motorista do taxi que porventura levar uma mulher para uma clínica de aborto.

E pode ganhar pelo menos US$ 10 mil na Justiça por isso. Isso abre um sério precedente: as pessoas têm a possibilidade de ganhar dinheiro em cima de processos de aborto.

A lei foi pensada por um advogado e senador chamado Bryan Hughes, um homem 52 anos. E aprovada por um legislativo que tem 132 homens e 48 mulheres. Mesmo sendo o Texas um estado em que a maioria da população é de mulheres.

Portanto, a nova lei consiste em algo que um grupo de homens decidiu a respeito da vida das mulheres. Se a mulher tem ou não tem o direito escolher de interromper ou não uma gestação.

Qual o tamanho da liberdade das mulheres se elas continuam excluídas dos espaços públicos onde as decisões que formatam a sociedade são tomadas?

Se são os homens quem decidem pelas mulheres questões tão profundas como a questão do aborto, que liberdade têm as mulheres nesta sociedade ocidental - que dizemos com tanto orgulho ser uma ''sociedade livre''.

A juiza Ruth Ginsburg, que morreu em 2020, uma das maiores defensoras dos direitos femininos, diz que o direito de escolha das mulheres está diretamente ligado à igualdade de genero.

Ou seja: não existe igualdade de gênero, se a mulher não participa das escolhas, das discussões e decisões que determinam o funcionamento da sociedade.

 

 

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