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Em queda após eleições no Iraque, partidos pró-Irã denunciam '''fraude'''

Aliança da Conquista, segunda força do atual parlamento iraquiano, caiu de 48 para 10 assentos, segundo a AFP. Grupo rejeita resultados e alega haver manipulação de votos.

 

Em queda após as eleições legislativas antecipadas no Iraque, os partidos xiitas pró-Irã endureceram o tom nesta terça-feira (12) e prometeram tomar as "medidas" necessárias para anular o que chamam de "fraude".

Os resultados provisórios divulgados pela comissão eleitoral na segunda-feira (11), um dia depois das eleições, indicam como vencedora a corrente do líder xiita Moqtada al-Sadr. Ele lutou contra as tropas americanas no passado e defende hoje uma retórica anti-Irã.

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Segunda força no atual parlamento iraquiano, a Aliança da Conquista, que representa ex-integrantes da força paramilitar Hachd al-Chaabi (Mobilização Popular), caiu de 48 para 10 assentos, de acordo com resultados compilados pela AFP.

Aliada do Irã, a Aliança deve, porém, seguir influente. Em nota, a coordenação que reúne vários partidos xiitas, incluindo a Aliança da Conquista, rejeitou os resultados preliminares e pretende "apelar".

"Tomaremos todas as medidas disponíveis contra a manipulação de votos", garantiu.

O Iraque convive desde 2019 com um movimento de contestação popular contra o governo e contra a influência de Teerã, capital iraniana.

Reivindicando mais de 70 assentos entre os 329 do parlamento iraquiano, os aliados de Moqtada al-Sadr têm quase certeza de que serão a primeira força após as eleições.

No entanto, a comissão eleitoral começou a registrar recursos de candidatos insatisfeitos. Em algumas assembleias de voto, as células ainda estão sendo contadas.

Observação internacional

Questionada sobre as acusações de fraude, a chefe da missão de observação da União Europeia, Viola von Cramon, declarou hoje que a votação foi "calma e ordenada".

"Nada, em nível técnico, na maioria das assembleias de voto (...), confirma esta avaliação [de fraude]", estimou em coletiva de imprensa.

As eleições legislativas, as quintas desde 2003 e a queda de Saddam Hussein após a invasão americana, foram marcadas por uma abstenção recorde.

A baixa taxa de participação (41%) era esperada em um país onde a opinião pública rejeita um sistema político corrupto: apesar da imensa riqueza do petróleo, um terço da população é pobre e os serviços públicos são precários.

A votação era para ser "uma oportunidade de mudar o cenário político. A maioria aparentemente não acreditou nesta oportunidade", acrescentou Von Cramon, vendo-a como "uma mensagem clara à elite política".

Se a vitória dos aliados de Moqtada al-Sadr for confirmada, o grupo seguirá como a maior força do parlamento iraquiano, podendo influenciar negociações sobre a escolha do novo primeiro-ministro.

Outra tendência é o avanço da Aliança do Estado de Direito do ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki (pró-Irã), que reivindica 30 assentos. Por sua vez, o partido Taqadom, do chefe do Parlamento Mohamed al-Halboussi – um sunita –, diz ter obtido cerca de 40 assentos.

As eleições de domingo estavam inicialmente previstas para 2022. Prometidas pelo primeiro-ministro Moustafa al-Kazimi, foram antecipadas para acalmar a contestação de 2019.

Reprimido violentamente – pelo menos 600 mortos e 30 mil feridos – o movimento perdeu força. Dezenas de ativistas foram vítimas de sequestros e assassinatos. Os manifestantes apontam para facções armadas leais ao Irã.

 

 

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