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Hanseníase é verificada pela 1ª vez em chimpanzés selvagens, aponta pesquisa publicada na Nature

Humanos são considerados os principais hospedeiros do Mycobacterium leprae. Agora uma pesquisa mostra que a bactéria causadora da hanseníase pode ter uma circulação maior entre animais selvagens do que os pesquisadores suspeitavam.

 

Os seres humanos são considerados os principais hospedeiros da bactéria Mycobacterium leprae, apesar de ela ser eventualmente localizada em tatus e esquilos. Entretanto, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13) mostra que a bactéria causadora da hanseníase pode ter uma circulação maior entre animais selvagens do que os pesquisadores suspeitavam até agora.

Os pesquisadores identificaram a doença em duas populações diferentes de chimpanzés selvagens. Uma delas no Cantanhez National Park, na Guiné-Bissau, e no Taï National Park, na Costa do Marfim. Apesar de ser a primeira vez que isso é verificado na natureza, já houve relatos de casos em macacos mantidos em cativeiro.

Os pesquisadores identificaram a doença em duas populações diferentes de chimpanzés. Uma delas no Cantanhez National Park, na Guiné-Bissau, e no Taï National Park, na Costa do Marfim. — Foto: Divulgação/Nature

A pesquisa foi liderada por Kimberley J. Hockings, da University of Exeter, no Reino Unido. Em suas conclusões, o pesquisador aponta que a maior circulação da doença em animais selvagens pode estar associada ao contato com humanos ou por alguma outra razão ainda desconhecida.

"As cepas identificadas em cada população de chimpanzés são diferentes, e elas são raras em humanos e outros animais", explica Charlotte Avanzi, pesquisadora da Colorado State University, que também participa do estudo. "Este estudo abre uma nova frente para a compreensão da transmissão desta doença em países onde ela é endêmica", diz Avanzi.

Apesar de o estudo não ter conclusões sobre a origem do contato com a bactéria, os pesquisadores apontam que, na Guiné-Bissau, os chimpanzés estão em áreas mais próximas de assentamentos humanos, apesar de eles não serem alvo de caça.

Já na Costa do Marfim a população está em área mais isolada e seria mais provável que tenham se infectado por contato com outro animal ou outra fonte no meio ambiente, como carrapatos ou água.

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