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Rapper defende música que faz crítica à China depois de atingir 30 milhões de visualizações

Namewee, da Malásia, diz não se arrepender de estar na lista negra de Pequim. Rapper já foi detido em 2016 e 2018 por supostamente insultar o Islã em vídeo.

 

Namewee, rapper da Malásia que escreveu uma canção pop em mandarim na qual zomba dos nacionalistas chineses, afirmou nesta segunda-feira(15) que não se arrepende de estar na lista negra de Pequim, já que sua canção alcançou mais de 30 milhões de visualizações no YouTube.

"Fragile", do rapper malaio Namewee, foi lançada no mês passado com a colaboração da cantora australiana Kimberley Chen. A música é um verdadeiro sucesso na Ásia e foi censurada na China continental.

A música é apresentada como uma canção de amor, mas está cheia de alusões àqueles que elogiam a China e o governo autoritário de Pequim na internet.

"Eu nunca me repreendo ou me autocensuro", disse Namewee em entrevista coletiva em Taipei, capital de Taiwan.

Nas últimas semanas, "Fragile" foi um dos vídeos mais vistos no YouTube em Taiwan, Hong Kong, Cingapura e Malásia, e também causou sensação na Austrália, Canadá e Estados Unidos.

Poucos dias após o lançamento da música, as contas de Namewee e Chen nas redes sociais chinesas foram excluídas e sua música foi censurada. A mídia estatal acusa o casal de insultar o país.

A China censura regularmente canções consideradas politicamente incorretas por sites de streaming nacionais.

Em agosto, o Ministério da Cultura chinês disse que vai estabelecer uma lista negra de músicas proibidas com "conteúdo ilegal", por colocarem em risco a segurança nacional.

O rapper de 38 anos já foi objeto de controvérsia na Malásia, de maioria muçulmana.

Em 2016, ele foi detido por vários dias por supostamente insultar o Islã em um vídeo parcialmente gravado em uma mesquita.

Ele foi preso novamente dois anos depois pelo mesmo motivo: insultar o Islã em um vídeo de dançarinos com máscaras de cachorro realizando movimentos provocativos.

Depois de ter suas contas de redes sociais chinesas removidas, ele respondeu cantando versos alterados do refrão de "Fragile", celebrando que ainda tinha acesso ao Facebook e Instagram. Como o YouTube, as redes são proibidas na China.

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