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Zhang Zhan, presa por filmar início da pandemia em Wuhan, é premiada pela Repórteres Sem Fronteiras

Presa, Zhang Zhan faz greve de fome. ONG também agraciou repórter palestina Majdoleen Hassona, detida em 2019, e consórcio internacional Pegasus, que revelou espionagem de jornalistas.

 

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) reconheceu nesta quinta-feira (18) com o seu prêmio de liberdade de imprensa a chinesa Zhang Zhan, a palestina Majdoleen Hassona e o projeto internacional Pegasus, um consórcio de jornalistas de vários países que investigam espionagem ilegal.

Os três prêmios, que são concedidos anualmente pela ONG internacional com sede em Paris, reconhecem o valor, a independência e o impacto dos diferentes trabalhos jornalísticos que têm contribuído para a defesa ou promoção da liberdade de imprensa no mundo.

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Nesta 29ª edição do prêmio, a RSF reconheceu, na categoria Valor, o trabalho de Zhang Zhan, advogada e jornalista que cobriu a pandemia de Covid-19 na cidade chinesa de Wuhan em fevereiro de 2020.

Zhan, que foi detida em maio de 2020, divulgou nas redes sociais as imagens de ruas, hospitais e famílias infectadas, tornando-se uma das principais fontes de informação independentes sobre a situação de saúde na região.

Jornalista Zhang Zhan em Wuhan, antes de ser presa pela polícia chinesa, em foto de 2020 — Foto: Melanie Wang via Associated Press

Sua detenção foi mantida em segredo durante vários meses e em dezembro do ano passado ela foi condenada a quatro anos de prisão por perturbar a ordem pública.

A jornalista iniciou uma greve de fome para protestar contra a decisão e, segundo os seus familiares, sua saúde piorou nas últimas semanas.

Espelho da situação do jornalismo hoje

Na categoria Independência, a RSF escolheu a repórter palestina Majdoleen Hassona, que é frequentemente perseguida pelas autoridades israelenses e palestinas pelas suas publicações críticas.

Ela está detida em Israel desde agosto de 2019, quando viajava da Cisjordânia com o noivo e foi informada que foi proibida de sair do território por motivos de segurança.

O terceiro prêmio, que reconhece o impacto de um trabalho jornalístico, foi para o projeto internacional Pegasus, um consórcio formado por mais de 80 jornalistas de 17 meios de comunicação de 11 países, com o apoio da Anistia Internacional.

O nome do projeto é inspirado no programa de software de vigilância "Pegasus", de propriedade da empresa de tecnologia israelense NSO Group, e é usado para ajudar países e suas agências de segurança a combater o terrorismo.

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O software foi vendido a vários governos desde 2011 e, segundo revelaram os pesquisadores do consórcio Projeto Pegasus, também é utilizado por pelo menos 11 governos – autocráticos ou democráticos – para espionar jornalistas, ativistas de direitos humanos e figuras da oposição. Os países incluem México, Arábia Saudita, Azerbaijão e Hungria.

Em 2017, a DW revelou que o governo mexicano da época estava usando o software para espionar jornalistas.

"Este é, infelizmente, um resumo da situação do jornalismo hoje. Os vencedores do prêmio da Repórteres sem Fronteiras incorporam as mais nobres qualidades do jornalismo. Eles merecem não só a nossa admiração, mas também todo o nosso apoio", afirmou em comunicado o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.

O júri desta edição foi presidido pelo presidente da RSF, Pierre Haski, e por importantes repórteres internacionais, como a francesa Raphaëlle Bacqué, a indiana Rana Ayyub, o advogado sírio Mazen Darwish e o editor paquistanês Hamid Mir.

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