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Eleição na Venezuela: chavismo elege 20 dos 23 governadores e o prefeito de Caracas

Partidos da oposição, que voltaram a participar de uma eleição no país após 4 anos, levaram o estado mais populoso. Pleito marca também a volta dos observadores internacionais.

 

O chavismo venceu as eleições regionais na Venezuela do domingo (21) e conseguiu eleger 20 dos 23 governadores e o prefeito de Caracas, informou o Conselho Eleitoral Nacional (CNE), a autoridade eleitoral do país.

Mais de 21 milhões estavam aptos a votar nos mais de 70 mil candidatos, que concorriam a mais de 3 mil cargos (entre eles 23 governadores e 335 prefeitos). Mas só 41,8% dos eleitores foram às urnas.

  • VEJA TAMBÉM: Abstenção alta mostra crise na oposição e reforça poder do chavismo

A oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro, que voltou a participar das eleições após três anos de boicote e apelos à abstenção, venceu em três estados: Zulia (o mais populoso do país), Cojedes e Nueva Esparta.

Uma morte foi registrada em um tiroteio nas proximidades de um centro de votação em Zulia, mas o ministro do Interior, Remigio Ceballos, afirmou que o fato foi um "crime isolado do processo eleitoral".

O Partido Socialista da Venezuela (PSUV), do governo, venceu nos seguintes estados: Amazonas, Anzoátegui, Apure, Aragua, Barinas, Bolívar, Carabobo, Delta Amacuro, Falcón, Guárico, Lara, La Guaira, Mérida, Miranda, Monagas, Portuguesa, Sucre, Táchira, Trujillo e Yaracuy.

“Bom triunfo, boa vitória, boa colheita, produto do trabalho, trabalho perseverante, produto de levar a verdade a todas as comunidades”, comemorou Maduro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vota durante as eleições regionais e municipais em Fuerte Tiuna, em Caracas — Foto: Yuri Cortez/AFP

Oposição e observadores de volta

Os principais partidos da oposição voltaram a participar de uma eleição após se recusar na presidencial de 2018, na qual Maduro foi reeleito, e na legislativa de 2020, em que o partido do governo retomou o controle do Parlamento.

Eles denunciaram ambos os pleitos como "fraudulentos", acusando o CNE de estabelecer condições favoráveis ??aos aliados de Maduro e de desqualificar partidos e alguns dos candidatos mais populares da oposição.

A eleição regional do domingo marcou não só o retorno da oposição às urnas como também o de observadores internacionais independentes ao país, após mais de uma década de ausência.

A União Europeia não enviava observadores havua ainda mais tempo — 15 anos —, pois as autoridades locais optavam por "missões de acompanhamento" de países e organizações próximas ao chavismo.

O bloco europeu enviou a maioria dos 130 observadores desta eleição, mas também participaram enviados das Nações Unidas e do Carter Center, órgão especializado em processos eleitorais fundado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter.

A função dos observadores internacionais é acompanhar a votação e denúncias de fraude. Eles devem apresentar um relatório preliminar sobre o pleito no início desta semana (e uma análise mais detalhada em 2022).

O retorno de observadores da UE é, segundo analistas, uma das concessões de Maduro para tentar obter o fim das sanções, que incluem um embargo do governo dos Estados Unidos.

Derrota para a oposição

As eleições regionais eram consideradas um novo ponto de partida tanto para Maduro, que busca o fim das sanções internacionais, como para a oposição, que retornou aos processos eleitorais pensando em uma eleição presidencial "transparente" em 2024.

Cartazes eleitorais promovendo a candidata da oposição ao conselho municipal Luisana Uzcategui desfiguram cartazes do candidato do governo Hector Rodriguez, em Caracas, capital da Venezuela, em 19 de novembro de 2021 — Foto: Ariana Cubillos/AP

A oposição também pode, no próximo ano, tentar convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro. Mas precisa superar as divisões internas que a levaram a concorrer de forma desunida e fragmentada.

"Os resultados do CNE mostram poucas surpresas. O mapa fica fundamentalmente vermelho [cor do PSUV], como se esperava", afirmou o analista Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisas Datanálisis.

A fragmentação facilitou o trabalho do chavismo até em áreas tradicionalmente opositoras, como Táchira.

"Este resultado é lamentável para a oposição, pois foi definido fundamentalmente devido à abstenção e divisão", completou León, em referência às dificuldades dos rivais de Maduro para estabelecer candidaturas unificadas.

Oposição fragmentada

Juan Guaidó, líder da oposição que é reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, não votou e permaneceu em silêncio sobre a eleição.

Juan Guaidó — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Ele defendeu nesta semana "unificar a luta" contra Maduro após o pleito e insistiu em buscar um acordo nas negociações do governo e da oposição que ocorriam no México.

Mas elas foram paralisadas desde a extradição aos EUA do empresário colombiano Alex Saab, ligado a Maduro, que afirmou no domingo que "não há condições" para retomar as conversações.

Apesar da divisão, o ex-candidato à presidência Manuel Rosales, que venceu em Zulia — o estado mais populoso do país, que ele já governou entre 2000 e 2008 —, escreveu em uma rede social que "hoje venceu a democracia e triunfou o compromisso".

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